Graça Onasilê, vocalista do Ilê Aiyê, e Nina Sol, expoente musicista soteropolitana, apresentaram-se no palco da Praça Pedro Archanjo, no Pelourinho, nesta sexta-feira (28). As artistas, de diferentes gerações da música baiana, uniram-se para apresentar o “Folia Delas”, projeto que conta com o apoio do Governo do Estado e da Bahiagás.
O público começou tímido e, de repente, até mesmo quem estava sentado levantou-se para curtir o som. Maria das Graças Pires, de 69 anos, foi uma delas. Aposentada e natural de Feira de Santana, ela contou que vem ao Carnaval de Salvador todos os anos.
“Sou carnavalesca desde criança. Ainda jovem, morando em Feira, saía de casa para os clubes em Cachoeira e Salvador.” Ao lado do esposo, também aposentado, ela dançou e brincou do início ao fim ao embalo de sons marcantes do Axé Music.
Daniel Alves Menezes, 71, também estava acompanhado da esposa, Elodia Medrado, 65. O casal curtiu o repertório recheado de hits carnavalescos baianos, como “Eu Sou o Carnaval” e “Chame Gente”, de Moraes Moreira, e “Eu Também Quero Beijar”, de Pepeu Gomes.
Sobre o repertório nostálgico, Daniel afirmou que a música não tem idade. “Acho que a música é universal, certo? Tanto o samba, o reggae, o pagode… Os gêneros são universais. Eu adoro essa união, essa conexão de ritmos.”
Fábio Aguiar, 41 anos, professor, além de prestigiar a apresentação e a união das artistas, fez questão de ressaltar a importância de reverenciar os grandes artistas em vida.
“Graça, além de ser uma pessoa muito querida, muito amada, é uma pioneira, uma precursora, uma mulher que vem trazendo, há mais de 30 anos, a força da mulher negra para a música”.
Protagonismo feminino
Primeira mulher a se tornar vocalista do bloco afro Ilê Aiyê, Graça Onasilê tem mais de 30 anos de carreira, sendo mais de 20 deles dedicados ao Ilê. Ela conta que, este ano, uniu-se a Nina para mostrar que o cenário artístico e cultural mudou.
“Fico feliz que as coisas tenham evoluído. Eu sou a primeira cantora em bloco afro e, hoje, vejo uma expansão de mulheres pretas que atuam com mais frequência no mundo artístico”, disse.
Já Nina Sol é considerada a nova expoente da MPB, mas revelou que prefere não se rotular. “Aqui na Bahia, temos vários ritmos que formam a nossa cultura. Me definir como só MPB não cabe, até porque eu acho que todo baiano nasce com essa pluralidade”.
A prova dessa pluralidade é essa união com Graça: “Ela é maravilhosa e estou muito honrada de estar dividindo o palco com ela, mostrando um pouco do que sei e aprendendo muito também”, disse.
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