Legado de Môa do Katendê é destaque no desfile do bloco Os Negões

01/03/2025
Carnaval do Pelô

Com o tema “Dique dos Orixás! O Caminho da Juventude, um tributo a Môa do Katendê”, o bloco afro Os Negões homenageou o mestre de capoeira, morto aos 63 anos. O bloco também destacou o Dique do Tororó como um território político sagrado e de resistência negra.

Sendo o reduto do mestre Môa, o Dique do Tororó tem uma ligação muito importante com o legado do educador, por que era lá que ele ensinava aos jovens a arte e também promovia a conscientização através do ensino da cultura afro-brasileira lado a lado a capoeira. 

Por conta disso, o bloco exalta o Dique dos Orixás como um território sagrado, reafirmando o poder político desse movimento, onde o encontro entre ancestralidade, espiritualidade e luta pela liberdade tem influenciado gerações. 

Paulo Roberto, presidente da entidade, fez questão de enfatizar que o tema deste ano é uma pesquisa que, traz par a atualidade a história dos anos 70/80, quando nomes como Vovó do Ilê, Bujão, Apôlonio, Tonho Matéria, Nadinho e Carlinhos Brown, ainda jovens, frequentavam o Dique para curtir os ensaios dos blocos de índio, primeiras agremiações que eram reconhecidas por eles como afro. 

“O Dique do Tororó era o caminho da juventude. Jovens que hoje são presidentes de instituições como lê, Olodum, Muzenza, Malé e outros mais. Então, a gente traz uma história que ajudou a construir tudo isso que a gente convive hoje”, seguiu dizendo o presidente Paulo Roberto.

Com mais de 40 anos de história, o grupo carnavalesco nasceu em 1982 e, imediatamente, se engajou em questões políticas e sociais, em particular, promovendo atividades no combate às desigualdades e ao racismo. 

Somente em 1995 a agremiação passou a permitir o ingresso de mulheres e, desde então, elas são presenças marcantes dentro do bloco. É o caso da empreendedora e mãe solo, Maiana Paiva que, este ano, desfilou como destaque no abre alas, representando toda majestade de Oxum. 

“Para mim, é uma honra imensa representar minha Yáloxum em plena avenida. Essa mulher que eu carrego com todo gosto, com todo prazer, a dona do ouro, a dona da fertilidade. Que possamos caminhar, trilhar caminhos prósperos. Porque a Yáloxum vem abrindo todos os caminhos e vem abrilhantando essa festa. Para mim, é um imenso prazer”, afirmou a dançarina. 

Esse legado fica ainda mais evidente na fala da graduanda em Turismo e Hotelaria, Hilary Doria, 20 anos. “Sair na ala de Oxum dos Negões traz um grande significado na minha vida, pois me reconecta com a minha ancestralidade e principalmente com os meus aspectos culturais que tenho trabalhado na minha faculdade. Essa atividade que tenho desenvolvido hoje não é insignificante, ela é totalmente importante para a minha profissão quanto para a minha capacitação pessoal. O que envolve a humildade em reconhecer o que foi passado pelos antepassados, e a valorização através das minhas atitudes hoje, a reafirmação de como me sinto como mulher preta. E principalmente, está na ala representando a orixá que traz esses aspectos da beleza, que traz os aspectos da sutileza e, principalmente, do ouro, o que significa que cada mulher tem a sua beleza, a sua pureza, a sua importância e a sua colaboração dentro do papel que exercemos nas sociedades. ”, enfatizou a abre alas. 

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