Do Soul ao Groove, palco do Largo do Pelourinho recebe Os Garotin e Afrocidade

01/03/2025
Os Garotin & Afrocidade

O palco do Largo do Pelourinho ficou pequeno para a mistura de ritmos que passou pela terceira noite do Carnaval do Pelô, neste sábado (01).  Levando uma sonoridade única que vai das influências do soul e R&B até o samba-reggae e o afrobeat, a banda carioca Os Garotin subiu ao palco mostrando porque é uma das maiores apostas da nova geração da música brasileira. 

O trio de que é de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, acabou de estrear  no Carnaval de Salvador. Para Cupertino, vocalista e guitarrista do grupo, foi uma experiência única. "Começamos o Carnaval no melhor lugar que tem. Salvador é tudo, até as influências que a gente tem, de música, música baiana. Então tá aqui é uma responsabilidade danada, a gente vem cheio de respeito pela cultura que tem".

A foliã Lysa Lucchini, de 30 anos, disse que foi ao Pelourinho só pra ver a apresentação do grupo. "Eu não sou muito do Carnaval, de sair para o circuito Dodô, Osmar, esses mais tradicionais, mas vim aqui para assistir Os Garotin, porque vale demais e eles são a cara da Bahia".

O grupo carioca conquistou em 2024 o Grammy Latino de Melhor Álbum Contemporâneo em Língua Portuguesa, o que chamou ainda mais atenção pelo trabalho feito.  Arianna Maria, de 26 anos, conta que conheceu a banda em meados de 2024, desde então se tornou uma grande fã. "Eu fiquei ouvindo várias, várias, várias, várias vezes o álbum deles. E aí quando eu vi que ia ter aqui no Carnaval de Salvador eu disse que precisava vir", conta a soteropolitana que, atualme mora em Eunápolis.

" A gente se alimenta de João Gilberto, até Novos Baianos, até os tropicalistas ali, um monte de baianos juntos. Então a Bahia é tudo, cara. E essa junção Bahia e Rio de Janeiro é uma junção histórica na música brasileira. Então a gente se sente desafiado a poder propor algo de novo nessa junção, né?!", refletiu o vocalista Leo Guima.

Depois, quem ficou responsável por animar o público foi a banda Afrocidade,  que ficou responsável por manter a energia lá em cima, levando a cultura afro-baiana direto de Camaçari.  Com uma groovada única que mistura batidas eletrônicas com o batuque típico do pagode baiano, a big band  levou no repertório músicas já conhecidas do público de outros Carnavais da banda, como "As Minas Para o Baile", "Baby Te Liguei" e "Eu Vou no Gueto". Suas músicas, sempre carregadas de consciência periféricas, como eles definem, embalou o público que lotou o Palco do Pelourinho.

Para quem se apresenta, essa mistura de ritmos aliada ao destaque de novos artistas faz com que o Carnaval de Salvador evolua musicalmente. "O passado é o futuro, acho que é essa a parada. A gente se alimenta de tudo que já aconteceu para propor. Por exemplo, aqui tocou a gente (Os Garotin), vai tocar Afrocidade, Melly, Rachel Reis... ao mesmo tempo em que ontem seguimos a pipoca da Ivete Sangalo, gravamos com Saulo Fernandes, com Caetano Veloso. A Bahia e o Rio são um celeiro de musicalidade, de artista, né, cara?! Então que continue sendo assim para a próxima geração", finaliza Anchietx, vocalista do grupo carioca.

Para a foliã soteropolitana Shelei Assunção, de 24 anos, que atualmente mora em São Paulo, essa fusão musical desperta novas descobertas. "Eu acho muito importante essa mistura de ritmos porque a gente conhece o que está surgindo da música na atualidade, né? A gente, às vezes, se prende muito aos ritmos da nossa bolha, e precisamos conhecer outros ritmos da nossa cidade e também de fora".