Curuzu em festa: Ilê Aiyê celebra 50 Anos com cerimônia tradicional e desfile histórico apoiado pelo Programa Ouro Negro

02/03/2025
Ilê

Na noite do sábado (01) de Carnaval, os tambores do bloco Ilê Aiyê ecoaram muito axé pelo Circuito Mãe Hilda Jitolu, no Curuzu. Uma multidão se aglomerou em frente ao Terreiro Ilê Axé Jitolu, liderado pela Ialorixá Hildelice Benta dos Santos, para acompanhar a tradicional cerimônia de saída do primeiro bloco afro do Brasil.

Este ano, a entidade celebra meio século de resistência, enaltecendo a grandiosidade da cultura afro-diaspórica e levando para a avenida o tema “Quênia - Berço da Humanidade”, uma homenagem que tem como objetivo reforçar a importância científica das últimas descobertas arqueológicas no continente africano.

Diversas autoridades prestigiaram a cerimônia, entre elas o vice-governador Geraldo Júnior, o secretário de Cultura do Estado, Bruno Monteiro, e a secretária de Promoção da Igualdade Racial, Ângela Guimarães.

A magia desta noite tão simbólica começou com o acompanhamento dos últimos preparativos para a grande estreia da Deusa do Ébano deste ano. Como esperado, o reinado de Lorena Bispo, 22 anos, teve início com muita emoção. 

"Eu tentei procurar palavras que conseguissem explanar tudo o que eu estou sentindo, mas eu entendi que não ia conseguir. Então, decidi dar vazão ao meu sentimento.”, disse. Para ela, a estreia como Deusa do Ébano é mais que um momento de emoção: "É, sobretudo, de entendimento, de saber que a história não começa aqui e ela não finaliza aqui. De saber que outras meninas, mulheres e pessoas podem ter esse sonho adoçado, ter essa realeza ativada, com altivez".

O presidente e fundador do Ilê Aiyê, Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, falou sobre a valorização da imagem da mulher negra que sempre teve lugar de destaque dentro do bloco. “Ah, se não fosse o Ilê! Ah, se não fosse a Mãe Hilda, a mulher negra que nos apoiou. Ela mantinha esse empoderamento. Esse trabalho social do Ilê começou com ela, aqui no terreiro, com a criação da escola de educação informal, que tem como bandeira a educação antirracista".

Cerimônia Ilê

Cerimônia

A saída do Ilê já se consolidou como um marco do Carnaval de Salvador por valorizar a identidade negra e as lutas antirracista e de combate à intolerância religiosa. A cerimônia contou com os tradicionais banhos de milho branco e pipoca, além do consagrado pó de pemba, usados para abrir os caminhos e pedir um Carnaval de boas energias e bênçãos para Pai Oxalá e Pai Obaluaê. Ao final, as pombas brancas foram soltas e os atabaques e tambores soaram forte e se misturaram aos cânticos de exaltação à ancestralidade e aos orixás na subida da ladeira do Curuzu.

O cortejo seguiu para a Senzala do Barro Preto e, depois, tomou as ruas da Liberdade, bairro soteropolitano reconhecido como território de resistência. O local foi ocupado por uma multidão majoritariamente preta de diversas faixas etárias, todos no mesmo ritmo, entoando os cânticos de exaltação à cultura e religiosidade negra.

O cortejo seguiu por toda a Ladeira do Curuzu, arrastando milhares de foliões em direção ao Plano Inclinado da Liberdade. De lá, os associados voltaram a se reunir novamente no Corredor da Vitória, onde o bloco deu início ao seu desfile oficial no Circuito Osmar.

Ana Carla Sacramento, 51 anos, foliã cativa do bloco, completou, este ano, 50 anos de desfiles junto com a agremiação. Para ela, o Ilê é a representação da resistência, da resiliência de um povo sofrido, mas que continua de pé, vivo, forte e pulsante. “Eu saio no Ilê há 50 anos. A primeira vez que eu saí tinha apenas um ano, em 1974, com minha tia. Então, sair no Ilê é estar aqui presenciando esse momento que é rico, que é de empoderamento, que é para o povo preto de nossa cidade", contou.

Ilê

Ouro Negro

O secretário de Cultura Bruno Monteiro falou sobre a importância de iniciativas como a do Ouro Negro. “O Ilê e os blocos afro têm uma representação muito grande, muito forte, muito potente para o nosso carnaval porque representam um elo de ligação entre as manifestações culturais que fazem o Carnaval com a nossa história, com a nossa ancestralidade. E o Governo do Estado entende essa responsabilidade, o tamanho dessa história e, por isso, apoia de forma crescente por meio do Ouro Negro, mas também com outras políticas ao longo de todo o ano”, afirmou.

O vice-governador Geraldo Júnior também frisou a relevância do Ouro Negro dentro das ações afirmativas no Carnaval: “Temos que agradecer ao nosso governador Jerônimo Rodrigues, ao secretário Bruno Monteiro, que conseguiram construir a maior edição do Ouro Negro desde a sua criação. O Ouro Negro está aqui presente no Curuzu. Aqui é o exemplo de força, da valorização e da raiz do nosso povo. Aqui é a ancestralidade”.

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