O palco do Largo do Pelourinho foi cenário para muito samba na ponta do pé com a apresentação de Nelson Rufino, na noite deste domingo (2), quarta noite do Carnaval do Pelô. Convidando a cantora Roberta Sá, o baiano de 82 anos mostrou por que é um dos maiores nomes do samba e uniu no repertório músicas da cultura baiana com o samba carioca.
“Comendador do samba da Bahia”, conforme o título recebido em 2020, Nelson Rufino compôs canções preciosas, como “Todo Menino é um Rei” e “Verdade”, imortalizadas por parceiros como Zeca Pagodinho, Alcione, Péricles, entre outros. Ele celebrou o fato de o Carnaval de Salvador, em especial nos palcos do Pelourinho, estar dando mais espaço para o samba.
"Eu vejo que tem uma dose maior de respeito pelo samba da terra, pelo samba. E nós precisávamos muito disso, do apoio ao sambista, entendeu? Eu não tenho nenhuma bronca com o Axé Music, muito pelo contrário, eu fico feliz porque nasceu aqui no nosso seio", expressou o cantor. Nelson Rufino aproveitou também para enfatizar que o samba é a base para muitos gêneros, como o axé, e merece reconhecimento como tal.
No show deste domingo no Carnaval do Pelô, o artista recebeu a cantora Roberta Sá, que, além de se destacar cantando samba, também é uma grande intérprete da MPB e bossa nova. O encontro aconteceu pela primeira vez em 2024, quando Nelson Rufino foi homenageado no 21º Festival de Música Educadora FM, que aconteceu na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Na ocasião, o cantor fez uma apresentação ao lado de Roberta e da cantora Teresa Cristina.
"Todos os dias, às vezes, eu agradeço a Deus pela vida. Perto de 83 (anos), entendeu? Ainda cantando meu samba. Tudo começou ao mesmo tempo através da batucada. É uma cronologia gostosa, é um cotidiano gostoso da minha vida. Vim da batucada, meu pai me ajudou a fazer batucada. Depois do Bloco Filhos do Tororó, depois da Escola de Samba Filhos do Tororó, depois Alerta Mocidade, Amor e Paixão... e hoje eu estou aqui diante de vocês conversando", refletiu o artista.
Trinca do Samba
Antes do show de Rufino, quem se apresentou no mesmo palco foi o “Trinca do Samba – Uma Homenagem a Walmir Lima”, que reuniu as cantoras Belpa e a própria filha do artista, Gabriela Lima, em uma homenagem ao cantor, compositor e poeta do samba baiano.
O show que integra o projeto Três Artistas - iniciativa do Carnaval do Pelô que reuniu três atrações diferentes, teve como objetivo prestar uma rica homenagem em vida ao compositor, poeta e artista que levou a Bahia para o mundo através de canções que falam de discriminações e alegrias vividas pelo povo negro baiano.
No telão, ao fundo, a trajetória de Lima, apresentações de roda de samba, fotos da família, de artistas e amigos, puderam ser vistas pelo público que, embalou ritmos diferentes de samba até o final da tarde. Na passarela do samba, crianças, jovens, adultos e pessoas idosas também prestigiaram Lima.
O repertório, acompanhado com entusiasmo pelos foliões, incluiu samba de roda, samba reggae e músicas de domínio popular, encantando baianos e turistas. Além de clássicos de Lima, os artistas levaram para o circuito músicas de outros grandes compositores e intérpretes, a exemplo de grandes sucessos como “Ilha de Maré”, que já ganhou vida na voz de Alcione, e “Samba, Canto Livre de Um Povo”, interpretada por Ederaldo Gentil.
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