Resistência, beleza e alegria! Essas foram as palavras que inspiraram o início do desfile, ontem, do bloco afro Os Negões, no Campo Grande. O tema escolhido para este ano, “Dique dos Orixás! O caminho da juventude”, é um tributo a Môa do Katendê e apresentou o legado do capoeirista, que dava aulas de capoeira aos jovens da comunidade do Dique do Tororó.
Quem estava empolgada para o cortejo começar era a dançarina do bloco, Poliana. Este é o primeiro ano dela dançando na agremiação durante o Carnaval de Salvador, e ela levou a família para prestigiar esse momento especial.
“Há muitos anos eu já ajudo na confecção dos figurinos e fantasias. Um dia, um dos diretores me convidou para dançar no bloco. Estou muito emocionada também porque vou desfilar com minha filha, que também é dançarina do bloco. Vou participar da ala dedicada a Oxum. É uma forma de apresentar para as pessoas um pouco da cultura do povo negro e da nossa ancestralidade africana”, afirmou Poliana.
Ao longo do desfile, a banda afro Os Negões realizou um espetáculo com sua sonoridade inconfundível, apresentando aos foliões do Campo Grande a tradição da entidade, que combina música, identidade e resistência.
“Temos um festival de música chamado Festa Negões, onde algumas composições são apresentadas antes do Carnaval começar. As canções que ficam em primeiro, segundo e terceiro lugar nós cantamos durante a festa”, explicou o vocalista da banda, Fidel Cobra.
Fundado em 1982, o bloco vem promovendo a inclusão e a valorização da cultura negra no Carnaval de Salvador. Além da sua atuação na folia, Os Negões realizam, em parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba), um cursinho pré-vestibular. O bloco também desenvolve o projeto Capoeira e Cidadania, que alfabetiza jovens e adultos, além de oferecer oficinas de dança e percussão. A entidade mantém ainda um programa de qualificação profissional para mulheres encarceradas.
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