Mestres do reggae agitam o Pelourinho e provam que o Carnaval é a festa de todos os ritmos

03/03/2025
Reggae

Nem só de Axé é feito o Carnaval da Bahia. O gênero musical, que comemora 40 anos de existência, anda de mãos dadas com outras sonoridades na folia. E o reggae foi o destaque da noite desta segunda-feira (3), na Praça Pedro Archanjo, no Pelourinho. Dois dos maiores nomes do movimento, Dionorina e Sine Calmon, levaram o groove jamaicano para a maior festa popular do mundo.

Um dos expoentes do reggae music baiano, o cantor e instrumentista Tonho Dionorina abriu as apresentações. Aos 72 anos - e meio centenário de carreira - o artista balançou a comunidade rastafári e os amantes do estilo ao som de seus maiores sucessos. O feirense homenageou seu conterrâneo, o cantor e compositor Carlos Pitta, que faleceu em janeiro de 2025. A música "Cometa Mambembe", hino carnavalesco composto por Pitta em 1988, ganhou uma releitura em ritmo de reggae. "Carlos e eu fomos parceiros desde 1972, então trago nesse show essa homenagem pra ele que tanto colaborou para o Carnaval", disse.

Dionorina também evidenciou o reggae enquanto instrumento de protesto e resistência. A intenção foi sinalizada com um aceno à Lazzo Matumbi com perfomance da emblemática "14 de Maio" e uma saudação a Zumbi dos Palmares, símbolo de luta por liberdade para o povo preto.

Sobre a predominância do Axé no Carnaval, o músico afirmou que a festa tem espaço para todos os estilos. "O reggae faz parte do Carnaval de Salvador. O ritmo vem das ruas, fala do clamor do povo, denuncia as mazelas e traz alegria. Eu tenho 42 anos de Carnaval e acho que na festa cabe todos os ritmos".

Ícone do reggae e representante do recôncavo baiano, Sine Calmon levou a sua banda, Morrão Fumegante, para o palco da Pedro Archanjo. Na estrada desde os 17 anos, o autor do antológico álbum 'Fogo na Babilônia', considerado um dos mais importantes da música baiana, lotou a praça de discípulos do reggae.

A nação vermelha, amarela e verde foi ao delírio com sucessos como "Maluco que Sabia" e "Roda Pião". "O reggae recôncavo é diferenciado, né?! Sine Calmon, Nengo Vieira, Edson Gomes, foram caras que além de cantar o reggae, criaram uma forma única de tocar. Sine Calmon é uma relíquia. Quem não gosta de Sine, não gosta de reggae", afirmou o fotógrafo Eduardo Tavares, 40, um dos primeiros a chegar para acompanhar o show.

Outra fã ávida, a administradora Laís Sena, 29 anos, refletiu sobre sua relação e percepção do reggae na atualidade. "O reggae está na minha vida desde que me entendo por gente. Faz parte da minha essência, assim como da minha família. Eu amo, mas acho que precisa melhorar na representatividade feminina. Ainda temos poucas mulheres no reggae", pontuou.

E engana-se quem pensa que Calmon e o Axé são distintos. O cantor mostrou sua devoção ao ritmo com sua versão de "Lambada da Delícia", de Gerônimo. O cachoeirense relembrou o feito que fez no carnaval de 1998, quando ganhou o Prêmio Dodô e Osmar de Música do Carnaval com "Nayambing Blues (Trem do Amor)". "40 anos do Axé me faz lembrar que em 1998 eu ganhei o prêmio de música mais executada do Carnaval com Nayambing Blues, que também é Axé. O reggae é axé, o samba-reggae é axé, e nós estamos juntos grandão. A gente faz parte de tudo isso".

Pelourinho, palco histórico do reggae

Espaço de aquilombamento, o Pelourinho é um dos principais palcos de difusão do Reggae Music, contribuindo para o surgimento e ascensão de diversos artistas do gênero. Sine endossou que o bairro do Centro Histórico de Salvador tem grande importância para a sua trajetória. "A Morrão Fumegante nasceu em Cachoeira e depois veio para o Pelourinho. A música “Maluco que Sabia” reporta isso no trecho 'E falou forte do Pelourinho, falou. A tocha acesa do morrão que fumegou'. Então o Pelourinho é o Palco do reggae. Agradecemos ao Olodum, que tem um trabalho maravilhoso que atravessou o oceano, e que apadrinhou o Morrão e estouramos pro mundo todo", concluiu.

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