Nem mesmo a chuva foi capaz de diminuir o brilho do Afoxé Filhos de Ogum na noite desta sexta-feira (2), na Micareta de Feira 2025. Ao som de tambores ritmados e sob as bênçãos de Ossanha, orixá das folhas e da cura , o grupo composto majoritariamente por mulheres desfilou com alegria e ancestralidade na pele, nas roupas e nas vozes.
Fundado na década de 1990 por Valdete Barreiros, o bloco tem raízes profundas no bairro Rua Nova, considerado berço da cultura popular de Feira de Santana. “Esse bloco já foi campeão e vice-campeão de desfile na Micareta várias vezes. É um prazer colocá-lo na rua. Tenho um amor muito grande por essa entidade”, declarou Valdete, emocionada, agradecendo do Governo do Estado e destacando o papel do bairro na preservação das manifestações afro-brasileiras.
Além de reverenciar Ossanha com canções compostas por dona Valdete, o desfile teve um toque ainda mais especial: todas as roupas foram produzidas por integrantes do próprio grupo, com referências africanas. “Ensaiamos por mais de seis meses e produzimos”, contou, orgulhosa, Wemilly Lima, filha de Valdete e atual presidente do bloco, dando continuidade a essa história de herança e resistência passada de mãe para filha.
A tradição se estende também entre outras famílias do afoxé. Há 15 anos, Miralva Pereira entrou no grupo com a filha Isabelle, que, na época, tinha apenas cinco anos. “Primeiro entrei no grupinho das crianças e agora já sou baiana”, comemorou Isabelle, reforçando o papel do Afoxé Filhos de Ogum como espaço de pertencimento e construção coletiva desde a infância.
O cantor e compositor Cláudio Jamaica, que há 35 anos faz parte do bloco, exaltou a apresentação desta sexta, destacando o desfile como uma celebração dos orixás e das raízes culturais que unem os integrantes. “O Afoxé Filhos de Ogum foi o primeiro que me deu oportunidade. Hoje, também canto no Pomba de Malê, que completa 40 anos e desfila nesta sábado (3). Nosso trabalho é arte, fé e cultura viva.”
Enquanto o Afoxé tomava conta do Circuito Pérola Negra - espaço dedicado à valorização da cultura afro na Micareta, as vestimentas, cheias de cores, estampas e significados, também chamaram a atenção do público. O folião Edson Pereira não poupou elogios: “As roupas estão lindas! E eu também gostei muito das músicas”, afirmou, enquanto o cortejo passava.
OURO NEGRO - O desfile foi uma das manifestações culturais viabilizadas com o apoio do Programa Ouro Negro 2025, política pública do Governo da Bahia voltada à valorização das expressões afro-brasileiras. Desenvolvido pela Secretaria de Cultura (SecultBa) e pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), o programa estimula o protagonismo de blocos afros, afoxés, blocos de samba, reggae e povos originários, fortalecendo suas ações artísticas, sociais e educativas. Nesta Micareta, 14 entidades culturais afro-brasileiras tomam a avenida com apoio direto da iniciativa.
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