Os Nagôs levam capoeira e alegria à Micareta de Feira

03/05/2025
Os Nagôs levam capoeira e alegria para a Micareta de Feira
Crédito: Ulisses Dumas

No embalo dos berimbaus, pandeiros e atabaques, a tradição da capoeira abriu o terceiro dia de folia no circuito Maneca Ferreira da Micareta de Feira 2025. O bloco de capoeira Os Nagôs, formado por 16 associações da cidade, levou muito mais do que ritmo para a avenida: apresentou resistência, cultura e ancestralidade.

Desde 2018, Os Nagôs mostram que a capoeira também é expressão de festa e cidadania. "A ideia surgiu nas antigas micaretas, quando os desfiles ainda aconteciam na avenida Getúlio Vargas. Entre a passagem dos trios, nós jogávamos capoeira ali mesmo, mas, frequentemente, éramos dispersados pela organização da festa", relembra Antônio Alves de Almeida, 68 anos, o Mestre Gago, um dos fundadores do bloco.

Durante cerca de 20 anos ele amadureceu o sonho de trazer capoeira de forma organizada para a avenida. Em 2018, junto com outros mestres, conseguiu fundar o coletivo que hoje desfila com orgulho.

Outro nome importante do grupo é Ronaldo Santos Rosa, 62 anos, conhecido como Mestre Ronnie, que reforça que o impacto da capoeira vai além do espetáculo. "Ela forma cidadãos, ensina respeito, disciplina, história", afirma. 

Mestre Nino, Mestre Gago, Mestre Cabeça e Mestre Ronnie
Mestre Nino, Mestre Gago, Mestre Cabeça e Mestre Ronnie
Fonte/Crédito
Crédito: William Santos

Mestre Ronnie assinala que o apoio do programa Ouro Negro é essencial para manter o projeto vivo e pulsante. Com R$ 15 milhões de investimento em 2025, o Ouro Negro é uma iniciativa da Secretaria Estadual de Cultura da Bahia (SecultBA) que concede apoio financeiro às entidades de matrizes africanas como blocos afro, afoxés, samba, reggae e blocos de índio, para a realização dos seus desfiles carnavalescos.

Denner Lopes Tamandarobá, 29 anos, eletricista e integrante da Associação de Capoeira Oasis, é um exemplo da transformação que a capoeira pode proporcionar. "A capoeira me ensinou tudo desde criança: disciplina, identidade e pertencimento. Hoje, ela me guia e me conecta com minha história", contou, emocionado.

Assim, com corpo, alma e gingado, Os Nagôs mostraram que tradição e folia caminham juntas — e que o axé da capoeira também tem lugar garantido na maior festa popular de Feira de Santana.

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