Cortejo Moviafro leva a força da cultura afro-brasileira à Micareta de Feira

03/05/2025
Cortejo Moviafro leva a força da cultura afro-brasileira à Micareta de Feira
Crédito: Mariana Ayumi

O Cortejo Moviafro tomou conta do Circuito Maneca Ferreira neste sábado (3), terceiro dia da Micareta de Feira de Santana. Foliões celebraram a cultura afro-brasileira com a atração financiada pelo Programa Ouro Negro, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) que concede apoio financeiro às entidades de matrizes africanas como blocos afro, afoxés, samba, reggae e blocos de índio.

O desfile reafirmou a importância da preservação e valorização das tradições de matriz africana na maior festa popular da cidade. Participaram blocos afros, afoxés, escolas de samba e grupos de capoeira, todos unidos sob a coordenação da Associação Cultural Moviafro. 

A animação ficou por conta da banda Afropop e da cantora Patrícia Gomes, conhecida por ter feito parte da banda Timbalada. "Estou super feliz pela oportunidade de participar dessa festa maravilhosa, principalmente com o Moviafro, que tem tudo a ver comigo", comentou, antes do desfile. 

Val Conceição, 51 anos, presidente da Moviafro, ressaltou a relevância da presença da cultura negra na Micareta de Feira de Santana. “A micareta é um espaço de celebração popular. É fundamental que a negritude esteja presente e seja protagonista. A gente não quer só participar, somos parte essencial dessa festa, com nossas tradições, ritmos, espiritualidade e resistência. O Cortejo Moviafro representa exatamente isso: a força do povo negro ocupando seu lugar com dignidade e alegria”, afirmou.

Moviafro
Moviafro na Micareta de Feira de Santana
Fonte/Crédito
Crédito: Mariana Ayumi

 

O secretário de Cultura do Estado da Bahia, Bruno Monteiro, destacou o papel do programa Ouro Negro como uma ferramenta para garantir a presença dos blocos de matriz africana na Micareta. 

“Apoiar os blocos afro, afoxés, de samba e de reggae por meio do Programa Ouro Negro é conectar essa festa à nossa identidade cultural, que é profundamente diversa. A história da cultura popular é feita de continuidade — novas expressões surgem porque outras vieram antes. Celebrar 40 anos da Axé Music, por exemplo, é também reconhecer que esse caminho começou lá atrás com os blocos afro. É esse o processo de salvaguardar a história”, afirmou.

Com música, ancestralidade e resistência, o Cortejo Moviafro reafirmou seu papel essencial na Micareta de Feira, não apenas como atração cultural, mas como símbolo vivo da luta e do orgulho da população negra. Ao ocupar as ruas com tambores, cores e espiritualidade, o desfile mostrou que celebrar é também um ato de memória, identidade e afirmação.

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Micareta de Feira
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