Contemplado pelo Programa Ouro Negro, bloco Flor de Ijexá evidencia legado que atravessa gerações

04/05/2025
Desfile da Flor de Ijexá evidencia legado que atravessa gerações
Crédito: Mariana Ayumi

Com uma rainha jovem, de apenas 16 anos, e uma bailarina de 8 anos, o Bloco Afro Flor de Ijexá mostrou ao público da Micareta de Feira de Santana, no sábado (3), que o seu legado pulsa forte por diversas gerações. O grupo afro do bairro Tomba, um dos mais antigos da cidade, completa 44 anos em outubro deste ano, evidenciando que a força da ancestralidade não tem idade. Em um desfile belíssimo, arrancou aplausos dos foliões.

“Sinto-me honrada por receber essa missão tão simbólica. Carrego não somente uma coroa, mas a força, a coragem e a esperança de um povo que resiste e celebra suas raízes e conquistas. Represento a população negra e sua identidade, a garra das mulheres e o orgulho de pertencer à nossa história. Esse momento perpetua a nossa memória e o nosso desejo de um novo futuro, sem racismo e com igualdade,” analisou Rute Anne Lopes dos Santos, rainha 2025 do bloco.

A pequena Elis Gaudino, 8 anos, estava animada para entrar na avenida. Vestida de baiana, cantou e dançou ao lado da irmã gêmea durante todo o cortejo. Saltitante, mostrava aos demais membros da agremiação a roupa feita manualmente com muita dedicação por voluntárias.

“Foram muitos dias de ensaios e não perdi nenhum, porque queria desfilar bem. Adoro o bloco e também faço aula de percussão”, disse a pequena, ao comemorar a existência do Afro Flor de Ijexá, que têm suas raízes e sede no Terreiro IIê Axé Ode Tuque.

Desfile da Flor de Ijexá evidencia legado que atravessa gerações
Fonte/Crédito
Mariana Ayumi

A banda Rosa Negra, pertencente ao bloco,  tocou em um mini-trio durante o cortejo, na Avenida Presidente Dutra. Com o tema “Benin - Reino do Daomé”, o bloco afro de Feira de Santana homenageou esse país da África Ocidental.

O Bloco Flor de Ijexá foi fundado em 10 de outubro de 1981 como grupo de afoxé. No entanto, em função da discriminação e da intolerância religiosa, à época, passou a ser um bloco afro.

Atualmente, mantém aulas de percussão e música para a população carente. O bloco é um dos contempladas pelo Programa Ouro Negro 2025, iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Cultura da Bahia (SecultBA), que concede apoio financeiro às entidades de matrizes africanas como blocos afro, afoxés, samba, reggae e blocos de índio.

Na micareta deste ano, 14 entidades culturais afro-brasileiras tomam a avenida até este domingo (4), com o apoio direto do Programa Ouro Negro, que também estimula o protagonismo dessas organizações, que mantêm viva a ancestralidade africana, promovendo arte, educação e inclusão social nas comunidades de origem.

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