Quando tambores soam no compasso da ancestralidade e corpos dançam em celebração à identidade, a avenida se transforma em território de resistência, beleza e cultura viva. Na Micareta de Feira de Santana 2025, a força das manifestações afro-brasileiras encontrou no Programa Ouro Negro o apoio necessário para brilhar.
Foram 14 grupos contemplados e R$ 620 mil investidos pelo Governo da Bahia no programa que é administrado pela Secretaria Estadual de Cultura (SecultBA). Por meio do Ouro Negro é possível promover a participação de instituições culturais de matrizes africanas, como blocos afros, afoxés, de samba, reggae e de tradição indígena.
Em Feira de Santana, foram quatro dias de festa nos circuitos Maneca Ferreira e Pérola Negra (espaço dedicado exclusivamente à exaltação da cultura de matriz africana).
As entidades que levaram suas bandeiras à avenida são:
- Cortejo Moviafro
- Quixabeira da Matinha
- Bloco Afropop Tambores Urbanos
- Afoxé Filhos de Oxalá
- Filhos de Ogum
- Filhos de Nanã
- Bloco Afro Muzembela
- Sorriso Negro
- Os Nagôs
- Feira Axé
- Flor de Ijexá
- Escola de Samba Nativos de Feira
- Escola de Samba Brasil Meu Samba
- Bloco Quilombo.
Para além do desfile, o Ouro Negro é um motor de continuidade.
“O programa é essencial e a única fonte de apoio de muitos grupos”, afirma o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, ao reforçar que são as entidades tradicionais que valorizam a identidade musical em uma festa como a Micareta de Feira.
“A cultura é diversa, vive em constante construção com novas expressões e ritmos. Não podemos esquecer ou deixar de valorizar o que veio antes. E os blocos afros são a nossa identidade musical, quem deu o ritmo, a estética e a força da nossa música. Valorizar essas entidades é reconhecer a raiz da nossa cultura”, explica.
Em 2025, o Ouro Negro teve investimento recorde de R$ 15 milhões, um marco histórico nos 18 anos da iniciativa que tem representantes no carnaval de Salvador e em festas populares como a Lavagem de Itapuã.
O secretário celebra que o Programa Ouro Negro tem conseguido ampliar sua abrangência como política pública de salvaguarda cultural. Além do incentivo financeiro, o programa realiza oficinas e ações educativas, promovendo inclusão de grupos nas seleções para editais sempre conduzidos de modo transparente e democrático.
“A partir do programa, conseguimos sair com um bloco lindo, com aula de dança e outras ações que não seriam possíveis sem esse apoio”, conta Flávia Ribeiro, da Associação Tambores Urbanos.
Já Guda Quixabeira, do grupo Quixabeira da Matinha, celebra o aumento dos recursos no Ouro Negro: “O samba ensina tudo. Ele é nossa aula de ciência, história e ancestralidade. E o Ouro Negro faz com que tudo isso chegue à rua, ao povo”.
Para Val Conceição, do Cortejo Moviafro, o Ouro Negro é um “potencializador”. “Esse incentivo é uma ‘mão na roda’. Sem ele, não conseguiríamos contratar bandas, trazer grupos de fora e fazer o cortejo acontecer. Para muitas entidades, é a única fonte de recursos”, reforça, destacando a receptividade calorosa do público.