Do Senegal à Bahia: Senny Camara e Márcia Short exaltam conexão ancestral no Pelourinho

07/11/2025
Do Senegal à Bahia: Senny Camara e Márcia Short exaltam conexão ancestral no Pelourinho
Caio Diniz

O segundo dia do Festival Nosso Futuro foi de imersão musical no Largo Quincas Berro D’Água, no Pelourinho, em Salvador, nesta quinta-feira (6). O público assistiu de perto ao show que reuniu Senny Camara, cantora e harpista senegalesa radicada na França, e Márcia Short, uma das grandes vozes da música baiana. O encontro marcou uma noite de contemplação do diálogo entre África e Bahia, não apenas pela sonoridade, mas pelo sentimento de pertencimento e continuidade.

A abertura do festival, realizada na quarta-feira (5), contou com a presença do presidente francês Emmanuel Macron e apresentou Salvador como ponto de convergência entre Brasil, França e o continente africano. Nesta quinta, a energia ganhou um tom ainda mais próximo e simbólico com o espetáculo que colocou duas mulheres negras no centro da cena, conectando tradições, memórias e linguagens.

Márcia Short se apresenta no Festival Nosso Futuro em show no Pelourinho
Márcia Short se apresenta no Festival Nosso Futuro em show no Pelourinho
Fonte/Crédito
Caio Diniz

Uma das vozes mais reconhecidas da Axé Music, Márcia Short abriu a noite com sua presença marcante. Integrante da Banda Mel e dona de uma trajetória que atravessa carnavais, trios elétricos e projetos de celebração à música afro-baiana, Márcia trouxe ao palco um repertório que passeou entre samba-reggae e MPB, reafirmando o peso histórico da música produzida na Bahia.

“Participar do Festival Nosso Futuro tem um significado especial para mim. Estar nesse encontro entre Brasil, França e África é reafirmar a força da nossa ancestralidade e o papel fundamental da música baiana nesse elo cultural. A Bahia é uma ponte viva entre continentes e poder cantar levando nossa herança é mais do que arte, é resistência e a celebração da nossa história”, disse a cantora.

Senny Camara e a Kora
Senny Camara e a Kora
Fonte/Crédito
Caio Diniz

A senegalesa Senny Camara encerrou a noite com a kora, harpa tradicional da África Ocidental, em mãos, transformando o palco em um espaço de encantamento. Sua voz se misturou aos toques de percussão e às melodias do instrumento, criando uma atmosfera que destacou sua musicalidade.

Ao falar sobre a visita a Salvador, Senny descreveu a experiência como a realização de um sonho e citou o elo profundo que sentiu com a cidade. “Para mim, vir à Bahia é um sonho que acaba de se realizar. Sempre sonhei em vir ao Brasil, especialmente a Salvador da Bahia. E quando cheguei ao aeroporto, senti essa conexão lá no fundo da minha alma, senti algo muito forte — não sei explicar —, mas, de qualquer forma, é uma honra e um prazer compartilhar a minha cultura com esse público tão determinado. Sinto que a minha vinda realmente tem um propósito.”

Presente no evento, o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, destacou o papel da arte na presença da Bahia em diferentes territórios. "Com esse show, promovemos um importante intercâmbio artístico de duas mulheres negras. É um encontro potente, com duas vozes que mostram a força da cultura que une a Bahia com o mundo", comentou o secretário Bruno Monteiro.

+ Sobre o Festival: O Festival Nosso Futuro Brasil-França: Diálogos com África faz parte da Temporada França–Brasil 2025, iniciativa que realiza a circulação de projetos culturais entre os dois países e a África, fortalecendo diálogos artísticos, históricos e educativos. Durante o festival, Salvador recebe exposições, filmes e shows que destacam a diversidade e a riqueza das culturas africanas e afro-brasileiras.

No centro do festival, está o Fórum Nosso Futuro Brasil-França: Diálogos com África – Nossos Lugares em Partilha, que oferece um espaço de reflexão e ação, onde 300 jovens e figuras importantes da África, Europa e Brasil se encontram para discutir a cidade inclusiva e sustentável do futuro: justiça territorial, inclusão social, igualdade de gênero, culturas afrodescendentes. 

O festival foi organizado pelo Institut français e pela Embaixada da França no Brasil no âmbito da Temporada França-Brasil 2025, em parceria com o Governo Federal Brasileiro (Ministério da Cultura), Universidade Federal da Bahia, Governo da Bahia, Prefeitura de Salvador, Accor, Aliança Francesa, Salvador Bahia Airport, CUFA Brasil e CUFA França, a Fundação de Inovação pela Democracia, o Conselho Geral de Seine Saint-Denis, a Cidade e a Metrópole de Montpellier, a Cidade de Paris, a Cidade de Saint-Ouen.

Programação SecultBA - A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) participa ativamente da programação do festival, realizado entre os dias 5 e 8 de novembro. Os museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) abrigam quatro mostras de relevância internacional: “O Avesso do Tempo”, no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA); “Fatumbi – o mensageiro”, de Pierre Verger e Emo de Medeiros, no Museu de Arte da Bahia (MAB); e a “Coleção_FRAC no MAC_Bahia” e “Ecos através do Atlântico”, de Olufèmi Hinson Yovo, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_Bahia).

As mostras refletem os diálogos históricos e contemporâneos entre os três territórios e reafirmam o protagonismo da Bahia na circulação internacional da arte e da cultura afro-diaspórica.

Já a Sala de Cinema Walter da Silveira e o Cinema Saladearte da UFBA recebem o festival com programação gratuita que reúne 24 filmes e duas mesas de debate com especialistas convidados, de 6 a 9 de novembro.

O ciclo é baseado no catálogo da Cinémathèque Afrique, um dos maiores acervos de cinema africano do mundo, e acontece pela primeira vez fora do continente. Reunindo produções de 12 países africanos e da diáspora, o festival propõe reflexões sobre ancestralidade, urbanidade e reconstrução de narrativas sob o tema “Memórias e Histórias para o Futuro”. Confira abaixo a programação:

- Dia 06/11 - Sessão de abertura
18h - Njangaan (87’)
Sala de Cinema Walter da Silveira

- Dia 07/11 - Memórias para o futuro
14h - Josépha (13’) / Baile na poeira (88’)
15h - Mesa 1: Quais memórias para o futuro? Convidados: Detoubab Ndiaye (UNEB), Eumara Maciel (UFBA) e Marcelo R. S. Ribeiro (UFBA).
16h - Black Barbie (4’) / Nós, estudantes! (82’)
19h - Samba o grande (14’) / Nacionalidade do imigrante (70’)
Sala de Cinema Walter da Silveira

13h - Lamb (18’) / Njangaan (87’)
15h - África sobre o Sena (21’) + Mesa Redonda 1
17h - Doubout (20’) / Você morrerá aos 20 (105’)
Saladearte Cinema da UFBA

- Dia 08/11 - Histórias para o futuro
14h - Mångata (15’) / Casablanca beats (97’)
15h - Pescadoras em rede: as mulheres da Gamboa de Baixo (14’)
15h - Mesa 2: Quais histórias para o futuro? Convidados: Lucas Ribeiro Sousa (Trama), Matheus Araújo dos Santos (UFRB) e Francisco Alves Junior (UFBA).
16h - Eu prometo o paraíso (25’) / Cabo de guerra (92’)
19h - O franco (45’) / A pequena vendedora de sol (45’)
Sala de Cinema Walter da Silveira

- Dia 09/11 - Histórias para o futuro
14h - Um camelo (14’) / Cordeiro (94’)
16h - Garibou (20’) / A vida é bela (83’)
19h - Micro-ônibus (8’) / À sombra das figueiras (92’)
Sala de Cinema Walter da Silveira

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Cultura
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