A ligação entre a música afro-caribenha e a música baiana inspiraram a montagem do repertório para o show. Uma das composições de Zarath escolhidas para o repertório foi a “Dança da Cordinha”, que colocou o público para balançar e relembrar um dos maiores sucessos cantados pelo É o Tchan. É dele também outra canção que ganhou o Brasil e o mundo através do grupo de pagode baiano, a música “A Nova Loira do Tchan”. “Se você falar, o povo não acredita...um estrangeiro fazendo pagode”, diverte-se o músico.
O clima festivo e dançante do show levou o artista a trazer um integrante a mais na banda: um dançarino! O rapaz se misturou com os foliões e ensinou os passos das coreografias ao público mais animado na frente do palco.
A galera do fundão também se divertiu muito. Jairo, 60 anos, juiz da Vara da Família, não poupou elogios! “Estou gostando bastante da do show, o bom é que o carnaval daqui do Pelourinho tem harmonia entre as diferentes pessoas, e essa é uma harmonia que a gente deseja que não se restrinja apenas ao carnaval, mas se prolongue pelo ano todo”.
Já o operador de logística Orlando se emocionou ao ouvir a música “Bilirrubina”, grande sucesso da música latina, escolhida por Zarath para arrematar o público, no finalzinho do espetáculo: “meu pai ouvia muito essa música quando eu era pequeno, então, assim que começou a tocar, eu me lembrei dele. Ele não está mais aqui, mas essa música trouxe muitas lembranças boas”.
O show terminou com uma roda de dança ao som do clássico “Eva”, animando o público para a sequência de apresentações neste primeiro dia de carnaval. A influência da axé music no trabalho de Zarath é um dos motivos que o fez ficar por Salvador: “Quando eu vi um trio elétrico pela primeira vez, não teve mais volta. Era aqui mesmo que eu iria ficar”, enfatizou o artista.
Uruguaio de alma baiana
Um dos principais nomes da música baiana, Jorge Zarath é uruguaio de nascença, mas soteropolitano de coração. A consolidação como um dos músicos mais criativos da Bahia se deu na década de 80, mesmo período da em que a axé music e o Samba-reggae bombavam no Brasil.
O começo foi como o de tantos outros, nos bares da cidade; passando por diversas bandas, até criar o grupo Salsalitro, em 1997. O grupo era conhecido por tocar ritmos latinos como a salsa, o merengue e a rumba, inclusive fazendo versões de sucessos da MPB e da música baiana, conquistando um público fiel.