Aloísio Menezes celebra 40 anos de carreira com samba e ancestralidade no Carnaval do Pelô

13/02/2026
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Crédito: Ascom SecultBA

 

No palco do carnaval e da vida, Aloísio Menezes não canta apenas músicas. Ele convoca memórias, reverência mestres e costura o passado e presente com a naturalidade de quem vive a festa como destino. Após a apresentação, o artista resumiu o espírito do show como um gesto de homenagem e continuidade. “A gente tem que homenagear o homenageado do carnaval, o samba, né?”, afirmou, explicando que até o figurino foi pensado como linguagem simbólica. "Me vesti e vesti todo mundo na pegada do malandro! É uma mistura de malandro com Zé Pelintra" - entidade associada às religiões de matriz africana.


Para Aloísio, o carnaval não é apenas um evento no calendário, mas um território de alegria permanente e de afirmação artística. “Carnaval sempre é alegria e para mim é um prazer sempre cantar no Pelourinho”, disse. Em 2026, essa alegria vem acompanhada de um marco pessoal para o cantor, esse ano ele está completando 40 anos de carnaval. “Com a serenidade de quem atravessou décadas sem perder o encantamento", afirmou.


O cenário da apresentação também carrega significado. A Praça das Artes, espaço que leva o nome de Neguinho do Samba, foi descrita por ele como um lugar de afeto e aprendizado. “É um prazer estar aqui neste espaço lindo que é a Praça das Artes, que leva o nome do nosso mestre Neguinho do Samba, uma pessoa com quem eu vivi e aprendi muito”, afirmou. Para Aloísio, a homenagem ainda é pequena diante da importância do mestre. “Foi a coisa mais acertada colocar o nome dessa praça, dar essa honraria a quem merece".


O momento vivido no palco foi definido por ele como singular. “Para mim é um momento ímpar estar aqui hoje fazendo um show após a apresentação de Lazzo”, comentou, projetando ainda os próximos encontros musicais. 


A força da  ancestralidade de Aloísio Menezes também se reflete no olhar de quem assiste. Moradora do Centro Histórico, Bel Cica, de 50 anos, contou que foi ao local movida exclusivamente pelo artista. “Vim só pra ver ele”, disse. Para ela, o carnaval se traduz na multiplicidade que encontra nas ruas. “Tem diversidade de música, de gente, de alegria, de tudo. A gente encontra tudo aqui”.


Já para Ana Cristina Ferreira, jornalista que escolheu o Pelourinho em busca de uma experiência mais tranquila, a apresentação reafirma a importância de preservar a qualidade artística da festa. “O nosso carnaval tem que manter a qualidade”, afirmou.


Para o escritor e agitador cultural Nelson Maca, a noite no Circuito Batatinha reafirmou a necessidade de preservar a excelência artística do carnaval. “Bom, eu acho sensacional. O nosso carnaval tem que manter a qualidade”, afirmou. Segundo ele, a força do espetáculo está justamente no encontro entre trajetórias e linguagens. “Eu hoje, tendo a Aloísio, tendo o Lazzo, tendo no palco o baixista Fabrício Leifá, e ainda mais tendo as imagens do Guabiru, quem sabe da arte, quem sabe dos movimentos, tá aqui”, disse, ao destacar a convergência entre música, memória e identidade como essência da festa.

Carnaval do Pelô

O Carnaval do Pelô integra a programação oficial do Governo da Bahia, com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”, reunindo ações do edital público da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA), que contemplou 81 propostas artísticas, além da participação da Secretaria de Turismo (Setur), por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), que fortalece o calendário cultural do território. No Largo do Pelourinho, parte da grade de atrações é viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).
 

 

 

 

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Carnaval da Bahia 2026
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