A apresentação do Bailinho de Quinta transformou a noite de Carnaval do Pelô em uma pista de dança repleta de cores, luzes e muita purpurina. Com 17 anos de trajetória, o grupo voltou a um território que ajudou a moldar sua própria história artística e a construir um público fiel.
Sobre a relação com o local, Graco Vieira, fundador da banda, lembrou que o Pelourinho foi um dos primeiros palcos do grupo. “A gente adora tocar aqui. Foi um dos nossos primeiros palcos, lugares de construção de um público grande, da nossa festa na cidade. O Bailinho já tá fazendo 17 anos, então temos uma história bonita“, afirmou. Mais do que um cenário, o espaço representa origem e pertencimento. Segundo ele, tocar na praça carrega um significado especial. “A Praça das Artes é uma praça maravilhosa, que realmente chama a família, cria esse espaço aconchegante”, disse.
O músico também destacou a dinâmica própria do Carnaval no Centro Histórico. “O Pelourinho tem essa dinâmica de esquentar a cada dia. Tá ótimo para frequentar hoje porque tem gente, mas ainda tá super confortável”, explicou.
A praça homenageia o mestre Neguinho do Samba, referência fundamental da cultura afro-baiana, e funciona como um espaço de escuta atenta, proximidade e troca direta entre artistas e público. Ali, o Bailinho de Quinta encontrou o ambiente ideal para transformar o show em uma experiência coletiva, dançante e enérgica.
Na plateia, o clima era de identificação. Iracema, assistente social e terapeuta de 56 anos, contou que frequenta o Carnaval desde a infância e que saiu do trabalho especialmente para ver o Bailinho se apresentar. “Sou baiana, amo Carnaval, venho desde os 7 anos fantasiada. Tá no sangue, não dá para deixar de vir pelo menos um dia”, disse. A escolha pelo Pelourinho é consciente. “Aqui é mais tranquilo e, pra minha idade, que eu não tenho aquele pique de antigamente, aqui é mais leve e eu gosto desse estilo”, afirmou. Sobre o show, foi direta: “A gente só veio aqui por causa deles. A gente ama”.
Ao lado dela, Marcos Vanderlei, de 53 anos, reforçou que o casal decidiu curtir o carnaval do Pelô especificamente para assistir ao Bailinho de Quinta. Questionado sobre o primeiro dia de Carnaval no Pelourinho, resumiu em uma palavra: “Espetacular”. Para ele, o diferencial está no repertório. “Porque é mais tranquilo. Porque toca músicas mais antigas”, disse.
Mesmo sem conhecer anteriormente a banda, Eliana Ferreira aprovou a apresentação. “Perfeito. O Bailinho, Lazzo, Aloísio, todo mundo deu um show”, afirmou, antes de repetir a avaliação ao falar do repertório. “Perfeito”.
Entre afetos e encontros, o céu do Pelourinho, para o Bailinho de Quinta, virou luzes de discoteca. A banda mostrou como se coloca o “bloco na rua” e segue firme fazendo do Carnaval um espaço de permanência, alegria e celebração coletiva.
Carnaval do Pelô
O Carnaval do Pelô integra a programação oficial do Governo da Bahia, com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”, reunindo ações do edital público da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA), que contemplou 81 propostas artísticas, além da participação da Secretaria de Turismo (Setur), por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), que fortalece o calendário cultural do território. No Largo do Pelourinho, parte da grade de atrações é viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).