Majur, Afrocidade, Duquesa e Nação Zumbi marcam sábado de diversidade e ancestralidade no Carnaval do Pelô

15/02/2026
foto
Crédito: Ascom SecultBA

 

Do Baile Infantil ao maracatu, Pelourinho reúne públicos de todas as idades e confirma vocação de circuito cultural e familiar da folia baiana

 

O sábado de Carnaval no Pelô foi marcado por uma celebração da diversidade musical e geracional que define o Pelourinho. Com uma programação pensada para todos os públicos, a folia de 2026 reuniu atrações infantis, novos nomes da cena contemporânea e artistas consagrados da música baiana e brasileira, transformando largos e praças em um grande mosaico sonoro e afetivo.

 

A abertura do dia no Largo do Pelourinho ficou por conta de Majur, que subiu ao palco vestida com as cores do Olodum. Em clima de interação constante, a artista apresentou canções do próprio repertório, dançou e provocou o público ao perguntar qual seria “a música do Carnaval”. No setlist, sucessos como “Vampirinha”, “Panamera” e “Jet Ski” embalaram os foliões e deram o tom da tarde.

 

O entardecer ganhou potência quando a banda Afrocidade convidou a rapper Duquesa para dividir o palco. O “grave bateu forte” e, ao som de “Baby Te Liguei”, o público entrou em sintonia total. Duquesa apresentou faixas marcantes da carreira, como “99 Problemas” e “Primeiro de Maio”. Do alto, em direção ao Taboão, o que se via era um verdadeiro mar de gente, sem horizonte visível.

 

Encerrando a noite no Largo do Pelourinho, Nação Zumbi fez o espaço parecer pequeno ao levar seu “Maracatu Atômico” ao frevo carnavalesco baiano. A fusão da energia soteropolitana com o swing recifense reforçou o espírito do Carnaval promovido pelo Governo do Estado, onde ritmos e territórios dialogam de fato em “um estado de alegria". 

 

PARA TODOS – Enquanto isso, na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, o Carnaval também foi das crianças. O tradicional Baile Infantil reuniu famílias ao som de Corrupio e Gatos Multicores, em meio a confetes, fantasias e um ambiente pensado especialmente para os pequenos. O espaço, reconhecido por sediar a programação infantil, voltou a ser ponto de encontro de gerações.

 

Ainda na Praça das Artes, duas grandes vozes da música baiana emocionaram o público. Larissa Luz e Mariene de Castro reafirmaram a força da ancestralidade. Mariene levou ao palco o show “Dona da Casa” e lotou o espaço preparado para receber 1.100 pessoas, mostrando a dimensão de sua presença no Carnaval. 

 

Em diálogo com a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), Larissa Luz destacou a potência do local. “O Pelourinho é um espaço carregado de história, principalmente do povo preto. Toda vez que eu faço coisas aqui, eu sinto que me abasteço de uma energia ancestral”, afirmou.

 

DIVERSIDADE MUSICAL – O pagode também teve vez no Largo Pedro Archanjo com Aila Menezes, uma das representantes do pagode feminino na Bahia. Ela apresentou músicas autorais como “Na Cara da Sociedade” e “Movimento Absurdo”, além de reverenciar a identidade das favelas com canções da Banda Fantasmão e de Igor Kannário.

 

No Largo Tereza Batista, Ana Mametto levou um repertório também dedicado à ancestralidade provando o quanto o Pelô é um ambiente sagrado. Dos tambores e aos ritmos afro-brasileiros, entre clássicos do Olodum, como “Deusa de Marrom” e “Rosa”, além de referências ao samba de roda, a artista emocionou e animou o público ao longo da tarde.

 

DIVERSÃO EM FAMÍLIA – Frequentadora assídua do circuito, Crislane Santos, designer de unhas e mãe de três crianças. destacou a tranquilidade e a estrutura do Pelourinho para quem curte a folia com os filhos. “É um circuito bem tranquilo, principalmente para quem tem crianças menores. Aqui tem espaço para elas correrem e a gente consegue aproveitar”, contou. 

 

Além dos shows nos palcos fixos, o Carnaval no Pelô foi animado por atrações itinerantes que circularam pelas ruas do Centro Histórico ao longo do dia, ampliando a experiência da folia. A programação começou cedo, às 4h, com Los Cuatro, seguida por Maira Lins, às 14h. Na sequência, às 15h, a tradição musical ganhou destaque com a Orquestra Os Franciscanos, enquanto a dança ocupou as ruas com a Koru Cia de Dança. 

 

A partir das 16h, a percussão da Banda Percussiva Pérola Negra conduziu o público, abrindo caminho para uma sequência intensa às 17h, com Bandão do Farias, Bandão Aurora, a Cia de Dança Robson Correia, Takombin’Arte e os Bambas da Bahia – Bandinha Samba Folia, reforçando o caráter democrático do Carnaval do Pelourinho.

 

 

Carnaval do Pelô

 

O Carnaval do Pelô integra a programação oficial do Governo da Bahia, com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”. A festa reúne ações do edital público da Secretaria de Cultura da Bahia, que contemplou 81 propostas artísticas, além da atuação da Secretaria de Turismo da Bahia, por meio da Sufotur, fortalecendo o calendário cultural do estado. No Largo do Pelourinho, parte da programação conta ainda com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet.

 

Tags
Carnaval da Bahia 2026
Galeria: