Sábado de Carnaval Ouro Negro no Campo Grande foi dedicado à ancestralidade, valorização da identidade e empoderamento

15/02/2026
O Muzenza desfilou suas fantasias coloridas no sábado de Carnaval Ouro Negro
Ascom SecultBA

O brilho do carnaval Ouro Negro se espalhou pelo circuito Osmar (Campo Grande), neste sábado (14), com os blocos afros que exibiram a força da própria ancestralidade. Muzenza, Ilê Aiyê, Malê de Balê, Bankoma e os demais ostentaram suas fantasias cheias de simbolismo transformando a passarela Nelson Maleiro em um palco de representatividade, negritude e empoderamento.

Um dos maiores destaques do dia, a tradicional saída do Bloco Afro Ilê Aiyê, no Ilê Axé Jitolu, foi marcada por emoção, beleza estonteante e a união de duas ancestralidades: o povo negro brasileiro e os indígenas. Neste ano, a instituição levou ao Carnaval o tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”.

Também tradicional, o Malê de Balê levou a mensagem “Sempre haverá um pai que não nos abandona” para o carnaval deste ano. O tema do bloco foi “Malê na Corte de Oxalá”, uma homenagem ao orixá da paz e da criação, em continuidade ao tema de 2025, quando o bloco celebrou Exu.

Já o Muzenza avançou pela passarela apresentando o tema “Ginga: a Arte do Negro no Futebol”, em homenagem ao protagonismo negro na construção estética, cultural e simbólica do futebol brasileiro. Com cerca de 70 percussionistas, chamaram atenção para a presença marcante da cultura negra no esporte.

O Bankoma veio homenageando o nkisi Mutalambô, correspondente a Oxóssi na nação Ketu, rei da caça, da fartura e da prosperidade. Em seu segundo dia na avenida, o bloco transformou o espaço público em extensão do sagrado, levando para a rua símbolos, cânticos e saberes que nasceram dentro do terreiro.

Carnaval de representatividade - O dia começou dedicado à alegria das crianças negras com a apresentação do bloco Todo Menino é um Rei. Com quase três décadas de história, a agremiação trabalha como um espaço de formação, identidade e sonho coletivo. Com o tema “Literatura Afro-Infantil – Cores do Samba”, uniu música, leitura e representatividade na avenida.

No contrafluxo, o bloco Filhos de Korin Efan levou para a avenida uma homenagem aos afoxés da Bahia, destacando a contribuição dessas manifestações para o Carnaval da capital. O cortejo reuniu cerca de 900 integrantes, distribuídos em diversas alas.

Saindo da Rua Chile, o Bloco Cultural - Netos de Ghandy levou a batida marcante do samba-reggae ao Pelourinho reunindo cerca de 750 foliões. Vestindo a camisa do bloco, os participantes destacaram o sentimento de pertencimento que marca o desfile.

O bloco Canelight levou para a avenida o tema “Minha África de Ouro, minha Bahia do Axé. É o samba na ponte da ancestralidade”, com um cortejo marcado pela valorização das raízes do samba e da cultura afro-baiana. Foliões de diferentes gerações fizeram um desfile de celebração, memória e pertencimento.

Os cantores e compositores Rogério Bambeia e André Fanzine foram as atrações do desfile do bloco Afinidade. Ambos comemoraram sua dedicação ao trabalho cotidiano em prol do desenvolvimento do samba baiano. O bloco Afinidade é mais uma expressão do samba baiano que nasceu do amor pelo gênero e da união de amigos com o propósito de levar um bloco às ruas.

O Bloco Abuse e Use fez um desfile de afirmação identitária, musicalidade e compromisso social. Com o tema “Meu corpo é o samba, o tamborim que o mundo não silenciou”, o bloco de samba levou para a avenida uma proposta que dialoga com a valorização do corpo negro, da ancestralidade e da resistência cultural, reafirmando o samba como linguagem de expressão e liberdade.

Em cortejo marcado pela juventude, pela religiosidade de matriz africana e valorização das comunidades periféricas de Salvador, o bloco Araiyê Juventude e Alegria trouxe o tema “Ogum Xoroquê”. Transformou a avenida em um espaço de celebração da fé, da cultura negra e da alegria coletiva.

Os associados do bloco Vem Sambar curtiram o samba do Grupo Revelação - que estão em turnê comemorativa pelos 30 anos de carreira. Os cariocas levaram para o desfile na capital baiana grandes clássicos e novidades do repertório, incluindo sucessos como “Tá Escrito” e “Deixa Acontecer”, verdadeiros hinos do samba brasileiro.

Em seguida, o bloco Tô Aê desfilou com o tema “Carnaval da Bahia – Sob encantos e magia – do samba no pé ao terreiro de axé”, homenageando os orixás Oxóssi e Oxum. A representação das divindades abriu o desfile, carregando simbolismo e fé. A ala das baianas representou a força e a representatividade da comunidade.

O bloco de samba Q Felicidade, que completa 21 anos em 2026, colocou os foliões do Circuito Osmar para dançar ao som do samba chula e do samba de roda, transformando a avenida em um pedacinho do Recôncavo Baiano. O bloco foi conduzido pela banda Canjerê de Sinhá, do bairro do Garcia, um dos tradicionais redutos do samba em Salvador.

Fonte
Ascom SecultBA