A comemoração aos 110 anos do samba no Brasil deu a nota da apresentação da cantora Matilde Charles, na tarde deste domingo (15), no Largo Pedro Archanjo. A artista apresentou o projeto Sambaiaiá, dedicado inteiramente ao gênero que sustenta a história e a identidade do carnaval de Salvador.
Reconhecida na cena artística de Salvador por seu trabalho voltado à valorização das raízes afro-brasileiras, Matilde apresentou um show que foi além da celebração musical. Entre uma canção e outra, ela contextualizou o percurso do samba até sua consolidação na Bahia, destacando o papel do ritmo como expressão de resistência e identidade. Para ela, o samba é memória viva que precisa ser contada.
“O samba carrega a história do nosso povo e sustenta o Carnaval como manifestação cultural, não apenas como entretenimento. Quando a gente canta samba, a gente reafirma quem somos”, declarou.
O repertório reverenciou nomes do samba baiano, com interpretações de canções eternizadas por Dona Edith do Prato, Mariene de Castro e Nelson Rufino.
Entre o público, a turista carioca Ana Paula Silveira, que visita Salvador pela primeira vez no período momesco, contou que decidiu trocar a experiência tradicional do Carnaval do Rio de Janeiro pela energia baiana. “Eu sempre vivi o Carnaval no Rio, mas queria sentir essa proximidade com os artistas e essa força da cultura de rua. Aqui é diferente, é mais íntimo, mais vibrante. Até o samba aqui tem outro sabor”, disse.
Já a soteropolitana Carla Souza, que acompanha a programação no Pelourinho todos os anos, destacou a importância de valorizar os artistas locais. “A gente precisa prestigiar quem faz cultura na nossa cidade. É massa ver o Pelô cantando com artistas que são nossas próprias referências.”
Um dos momentos mais simbólicos foi a homenagem ao mestre Riachão, com a execução de Retrato da Bahia, reforçando o legado de compositores que transformam o cotidiano em patrimônio musical.
Carnaval do Pelô
O Carnaval do Pelô integra a programação oficial do Governo da Bahia, com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”, reunindo ações do edital público da Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA), que contemplou 81 propostas artísticas, além da participação da Secretaria de Turismo (Setur), por meio da Superintendência de Fomento ao Turismo (Sufotur), fortalecendo o calendário cultural do território. No Largo do Pelourinho, parte da grade de atrações é viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).