Apaxes do Tororó leva povos originários à avenida com homenagem a Carlinhos Brown

15/02/2026
Apaxes é a agremiação mais antiga de inspiração indígena da folia
Ascom SecultBA

Os povos originários desfilaram no circuito Osmar com o bloco indígena Apaxes do Tororó na noite deste domingo (15). Com alas caracterizadas e homenagem ao cantor e compositor Carlinhos Brown, a agremiação levou para a avenida uma mensagem de respeito e valorização aos primeiros habitantes do Brasil.

As comunidades Xucuru-Cariri, Kariri-Xocó, Tupinambá, entre outras, foram à frente, seguidas por baianas e músicos percussivos, que anunciavam a chegada do Apaxes do Tororó. O samba duro deu ritmo a centenas de foliões que dançavam sorridentes e encantados com a beleza do Carnaval.

Fundado em 1968, no bairro do Tororó, o Apaxes é a agremiação mais antiga de inspiração indígena da folia soteropolitana e é apoiado pelo programa Ouro Negro, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA). Neste ano, o bloco homenageou o Cacique do Candeal, Carlinhos Brown, que destacou a participação dos povos originários no samba, tema da folia de 2026.

Diretor do bloco, multiartista e pesquisador dos povos originários, Caboclo de Cobre pontuou o impacto dos indígenas na gastronomia, geografia, farmácia, além de outras produções.

“O Apaxes sente a necessidade de mostrar para Salvador e para Bahia o quanto os povos indígenas são importantes num contexto geral. O Carnaval de Salvador, enquanto lugar político, foi instrumentado pelo movimento indígena, na figura dos Apaches, do Caboclo de Tororó, dos Caboclos das periferias de Brotas, da Federação, que compunham o bloco no seu início. Foi o Apaxes quem deu régua e compasso pra gente entender o que é esse Carnaval de hoje”, disse Caboclo de Cobre, enquanto a agremiação atravessava a passarela Nelson Maleiro.

O dirigente ainda deixou uma mensagem para os foliões, do lado de fora da corda. “O Apaxes é muito grande. O Apaxes está aqui falando e gritando que Salvador é um território indígena. Então, viemos apresentar a presença e a permanência do corpo indígena na nossa cultura, nos nossos festejos, na nossa música, no nosso carnaval, no nosso jeito de ser”, completou.

Do IAPI, em Salvador, Maxwell Otton, de 46 anos, não escondeu a emoção de ir para a avenida com o Apaxes. Ele contou que desde pequeno via a sua comunidade saindo com o bloco, o que despertou o seu interesse. “Precisamos conservar, resgatar essa cultura e levar adiante. Porque se a gente não preservar, isso vai morrer e isso nunca mais vai acontecer”.

A beleza das baianas encantava a todos que assistiam à passagem do Apaxes do Tororó na passarela Nelson Maleiro. Maquiadas, bem arrumadas e animadas, elas dançavam e esbanjavam carisma no Carnaval 2026.

Uma das integrantes, Jacilene Monteiro, de 59 anos, vai à folia momesca há 27 anos, mas saiu com o agremiação indígena pela primeira vez. Ela foi contundente ao dizer da importância de “se ter respeito à ancestralidade”, além de pedir um Carnaval de paz e amor. 

Fonte
Ascom SecultBA
Galeria: