Diversos blocos contemplados pelo Programa Ouro Negro encantaram o público no Pelourinho neste domingo de Carnaval (15), em um cortejo marcado por religiosidade, resistência e celebração da cultura afro-baiana.
Abrindo os desfiles, o tradicional bloco Filhos de Gandhy realizou o Padê no Largo do Pelourinho, ritual de abertura de caminhos e de pedido de bênçãos para a passagem pela Avenida. Ao som do ijexá, os integrantes estenderam o internacionalmente conhecido “tapete branco da paz”, dando início às apresentações.
Na sequência, os blocos Namoral, Filhos de Jhá, Quero Ver o Momo e Leva Eu transformaram o Pelourinho em uma passarela do samba, em suas diferentes vertentes, do samba de roda ao samba-reggae.
Com o tema “Pescadores da Jamaica”, o Filhos de Jhá também homenageou a capoeira, levando uma ala conduzida pelo som dos berimbaus. Já os blocos Sambrasil e Só Samba de Roda trouxeram o samba de raiz para o circuito, fazendo das ruas do Centro Histórico um pedaço do Recôncavo Baiano.
O toque do ijexá voltou a ecoar com os afoxés Olorum Baba Mi, Luaê e Dança Bahia, que embalaram os foliões ao som do agogô e evocaram a ancestralidade das religiões de matriz africana.
O bloco Bankoma homenageou o nkisi Mutalambô — correspondente a Oxóssi na nação Ketu — com as cores, o arco e a flecha que simbolizam a entidade. O Bloco Afro Idará, por sua vez, celebrou os 191 anos da Revolta dos Malês, reafirmando o discurso em defesa da liberdade e da resistência negra.
Também passaram pelo circuito os blocos do Instituto Professora Hamilta, Bloco do Gueto, Soweto e Carnapelô, além do Ska Reggae, que levou ao Pelourinho essa vertente do tradicional gênero jamaicano.
A atmosfera de tranquilidade foi destacada pelo folião Carlos Ferreira, de 69 anos, que acompanhava o bloco Carnapelô: “Esse com certeza é um dos motivos pelos quais eu escolho apreciar o carnaval por aqui, porque passar a folia em paz faz toda a diferença. Eu curto a festa desde criança, quando meus pais colocavam as cadeiras na rua para a gente curtir a festa na Avenida, e hoje faço questão de aproveitar aqui no Pelô”.
Criado em 2008, o Programa Ouro Negro é uma iniciativa do Governo do Estado da Bahia, executada pela Secretaria de Cultura do Estado, que apoia blocos afro, afoxés e outras entidades de matrizes africanas no Carnaval. A ação fortalece a participação dessas agremiações nos circuitos oficiais da festa e contribui para a preservação e difusão da cultura afro-brasileira.
Carnaval do Pelô
O Carnaval do Pelô integra a programação oficial do Governo da Bahia, com o tema “Carnaval da Bahia: Um Estado de Alegria”. A festa reúne ações do edital público da Secretaria de Cultura da Bahia, que contemplou 81 propostas artísticas, além da participação da Secretaria de Turismo da Bahia, por meio da Sufotur, fortalecendo o calendário cultural do estado. No Largo do Pelourinho, parte da programação conta ainda com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).