Com investimento superior a R$ 1,5 milhão, o Governo do Estado entregou, nesta sexta-feira (08), a restauração da fachada do Santuário Senhor dos Passos, em Feira de Santana. O ato contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, do senador Jaques Wagner, além de autoridades civis e religiosas, e marcou mais uma ação da gestão estadual voltada à preservação do patrimônio cultural baiano.
Durante a cerimônia, o governador também entregou a Comenda Ordem Dois de Julho Libertadores da Bahia ao arcebispo emérito de Feira de Santana, dom Itamar Viana, em reconhecimento à sua contribuição religiosa e social para o município e para a Bahia.
“A virtude da gratidão é uma presença constante na Bíblia. Sinto profundo desejo de agradecer ao governador e, na pessoa dele, ao povo baiano”, afirmou dom Itamar Viana.
O governador Jerônimo Rodrigues destacou a relevância da homenagem realizada no mesmo dia da entrega da obra de restauração da fachada do templo.
“Há um ano assinei a ordem de serviço e hoje retorno para entregar mais uma etapa da restauração. E quis o Senhor dos Passos que essa homenagem a dom Itamar acontecesse aqui, diante do seu rebanho. Essa medalha é um agradecimento por sua luta pelos direitos humanos e por sua visão pastoral, que é um exemplo para todos nós”, afirmou.
O arcebispo metropolitano, dom Zanoni Demettino, ressaltou o significado simbólico da homenagem e da obra para a comunidade feirense.
“Tem um significado profundamente simbólico a restauração deste lugar de fé, memória e esperança do nosso povo, aliada ao gesto de reconhecimento público a um pastor que fez da vida um serviço ao povo e ao Evangelho”, observou.
Iniciadas em maio do ano passado, as intervenções no Santuário Senhor dos Passos incluíram a estabilização e recuperação de elementos arquitetônicos da fachada, como revestimentos em argamassa, adornos decorativos e pináculos, estruturas pontiagudas localizadas na parte superior do templo, que apresentavam desgaste provocado pela ação do tempo.
Tombado provisoriamente pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), o templo foi elevado à condição de santuário em 2024 e é considerado um dos mais importantes da região.
Esforço integrado - Para o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, a entrega reafirma o compromisso do Governo da Bahia com a valorização da memória e da identidade cultural.
“Montamos uma força-tarefa para que esse patrimônio tão rico em história, cultura e fé fosse preservado, garantindo que esse templo religioso permaneça acessível às atuais e futuras gerações”, afirmou.
A obra foi executada pela Romas Engenharia e Consultoria, com recursos descentralizados pelo IPAC e supervisão da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur).
O diretor-geral do IPAC, Marcelo Lemos Filho, destacou o trabalho minucioso realizado no templo “A argamassa desta igreja, em estilo neogótico, é composta por diversos matérias, inclusive vidros e houve todo um cuidado com a escolha de materiais para mantermos as características originais”, explicou.
Técnica inovadora - A restauração da fachada contou com o uso de uma técnica de engenharia inovadora voltada à preservação do patrimônio histórico. Durante o processo, foram utilizados frascos suspensos ao longo das paredes para liberar, de forma controlada, uma resina acrílica diluída a 12%, injetada diretamente na estrutura.
A partir de um mapeamento detalhado das áreas mais fragilizadas, a equipe técnica definiu pontos estratégicos de perfusão e sondagem. A resina penetra na matriz original da parede, promovendo a reintegração das partículas soltas e interrompendo o avanço de infiltrações e processos de degradação
Histórico - Construído em estilo neogótico, o Santuário Senhor dos Passos foi o segundo templo erguido em Feira de Santana. A edificação começou a ser utilizada em 1936, mas só foi oficialmente inaugurada em 1964, após um longo período de construção.
Em 2010, a igreja foi interditada devido a problemas estruturais e reaberta dois anos depois, após intervenções conduzidas pelo IPAC em parceria com a então Superintendência de Construções Administrativas da Bahia (Sucab).
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