“Só conhecia pela televisão”. Foi assim que o jovem Isaque Moreira, de 16 anos, acompanhado pelo Coletivo Bahia pela Paz Mangabeira, em Feira de Santana, descreveu a experiência de conhecer Salvador pela primeira vez durante uma saída cultural promovida pelo Programa Bahia pela Paz. A ação é resultado da articulação intersetorial do Programa, que reuniu os Coletivos Bahia pela Paz, coordenados pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), e o tour cultural promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).
Entre os 14 jovens acompanhados pelo Coletivo Mangabeira que participaram da atividade neste sábado (21), Isaque esteve no Centro Histórico de Salvador. Durante a visita guiada por representantes da Secult-BA ao Pelourinho, o adolescente destacou a emoção de conhecer de perto um espaço que, até então, fazia parte apenas do imaginário construído pela televisão.
“Eu gostei de vir hoje pra cá. É diferente conhecer pessoalmente, de perto. Tudo parece bem maior. Pra mim, valeu a pena ter vindo”, contou o jovem, que realiza acompanhamento psicossocial no coletivo.
A programação da saída cultural começou no Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), equipamento da Secretaria de Cultura do Estado voltado às políticas culturais identitárias da Bahia. Em seguida, os jovens percorreram os largos do Pelourinho, primeiro bairro de Salvador e um dos principais símbolos da cultura e da ancestralidade negra no Brasil.
Um dos espaços visitados foi o Largo Quincas Berro D’Água, onde estão localizados outros equipamentos culturais, como a Casa do Hip Hop e a Casa da Cultura do Idoso. O tour também contou com um bate-papo sobre a trajetória de Ya Dagan Negra Jhô, multiartista e trancista reconhecida pelo trabalho de valorização da estética e da cultura afro-brasileira em Salvador, por meio do Grupo Cultural Kymundu.
Outro ponto da visita foi o Largo Tereza Batista, onde os jovens participaram de uma oficina de capoeira com Mestre Biriba, dentro da programação do Festival Pelourinho Cultural, realizado com oficinas patrocinadas pela Petrobras.
Thaylana Rosário, de 15 anos, também conheceu o Pelourinho pela primeira vez durante a saída cultural. Estudante do 8º ano, ela realiza acompanhamento psicológico no coletivo desde o ano passado. A adolescente contou que já tinha ouvido histórias da família sobre a capital baiana, mas ainda não conhecia a cidade pessoalmente.“Eu tinha muita vontade de ver os casarões coloridos do Pelourinho de perto”, relatou.
A jovem também destacou as mudanças percebidas em sua vida após iniciar o acompanhamento no Coletivo Bahia pela Paz. “Minha relação com minha mãe melhorou bastante, e isso ajudou muito dentro de casa”, afirmou.
De acordo com o coordenador-geral dos Coletivos Bahia pela Paz do Interior do Estado, Frank Ribeiro, o Pelourinho possui um significado histórico e simbólico fundamental para a experiência da saída cultural dos jovens. “O Pelourinho faz parte da história da Bahia e do Brasil. Aqui, a cultura pulsa em cada esquina. Esse contato é importante para que esses jovens sintam pertencimento e compreendam que também podem construir projetos de vida dentro da arte, da cultura e da produção cultural”, afirmou.
Para Geovan Bantu, coordenador de Dinamização do Centro Histórico de Salvador (CCPI/Secult-Ba), iniciativas como essa fortalecem o papel da cultura na prevenção da violência e na construção de novas perspectivas para as juventudes periféricas.
A saída cultural integra as ações desenvolvidas pelo Programa Bahia pela Paz, o Programa é voltado à prevenção e redução da violência letal entre crianças, adolescentes e jovens em situação de alta vulnerabilidade social, além de suas famílias. O Bahia pela Paz adota uma perspectiva ampliada de segurança pública, integrando ações sociais, de cidadania, garantia de direitos e atuação qualificada das forças policiais, com articulação entre as secretarias estaduais e apoio do sistema de Justiça.
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