Jovem selecionada por nove universidades viaja para os EUA

16/04/2015
“É uma bênção ser pai de Geórgia. Desde pequena ela é muito estudiosa”. Essas são as palavras de Jorge Sampaio, pai da jovem Geórgia Gabriela da Silva Sampaio, de 19 anos, aprovada em nove universidades dos Estados Unidos para cursar engenharia biométrica.

A estudante estava nesta terça-feira, 14, em Salvador e viajou para os Estados Unidos para conhecer quatro das nove instituições de ensino norte-americanas, após receber financiamento de um banco privado. Sorridente e visivelmente ansiosa, a jovem conta que tudo que conquistou é fruto de muito empenho.

“Aprendi inglês sozinha quando tinha 12 anos. E sempre me dediquei muito aos meus estudos”, diz. “Mas este é só o primeiro passo que estou dando. Lá, virão novas conquistas”, comenta.

Geórgia, que é natural de Feira de Santana (a 109 km de Salvador), ganhou notoriedade após ser selecionada em um programa de incentivo a projetos com ideias inovadoras, promovido pela Harvard University.

Em sua pesquisa, propôs a viabilidade financeira para diagnosticar a endometriose. A doença atinge mulheres que estão no período reprodutivo e afeta cerca de 176 milhões de mulheres no mundo – dez milhões no Brasil. Os dados são da Associação Brasileira de Endometriose.

Para a mãe de Geórgia, Sidiney da Silva Sampaio, a ida da filha para os Estados Unidos é fruto de muitos estudos. “É uma conquista para todos nós”, avalia.

Incentivo

Questionada sobre o porquê de estudar fora do país, Geórgia Gabriela é contundente ao dizer que os EUA podem lhe oferecer o que é necessário para que sua pesquisa seja melhor desenvolvida.

“Aqui no Brasil é tudo mais burocrático. Lá, você é incentivado a fazer as coisas sozinho, e isso é motivador. Ninguém duvida da sua capacidade. Além disso, há um grande investimento na minha área”, pontua.

Apesar do vislumbre, a jovem diz que não pretende viver nos EUA. “Eu não penso em viver lá. Mas sei que o Brasil não precisa da minha figura e sim do meu conhecimento”, comenta.

Envolvida com os movimentos sociais, Geórgia salienta a importância do empoderamento feminino. “Acho importante a gente ter essa consciência. Na minha condição de mulher negra do interior da Bahia, é preciso que eu esteja segura de mim”, analisa a jovem. “Quero que outras meninas saibam que é possível chegar lá! Mesmo com todas as dificuldades, é possível”, frisa.
Fonte
A TARDE