O protagonismo das mulheres na luta pela Independência

04/11/2022

SPM-BA promove mesa redonda com a historiadora Marcela Telles, pesquisadora da UFMG, no primeiro dia de atividades na Flica

 

As mulheres que participaram ativamente da luta pela Independência do Brasil foram tema de uma mesa redonda promovida pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA), no primeiro dia de atividades na Casa Educar para Transformar, na Fundação Hansen Bahia, como parte da programação da Feira Literária Internacional de Cachoeira (Flica), no município do recôncavo baiano.

 

“Das oito mulheres em destaque, três são baianas: Maria Felipa, Maria Quitéria e a baianinha Urânia Valério”, disse a historiadora Marcela Telles, palestrante convidada, autora do texto sobre Maria Quitéria no livro Independência do Brasil - as mulheres que estavam lá, organizado pelas escritoras Antonia Pelegrino e Heloísa Starling. “A Bahia sempre à frente”, brincou, ressaltando a importância do estado nos movimentos de resistência contra a colonizadores.

O silêncio das mulheres pela história é também uma forma de violência imposta pelo machismo que ainda se perpetua e estrutura a sociedade brasileira. Só recentemente a historiadora Patricia Valim conseguiu descobrir a identidade da baianinha, uma jovem de 10 anos, que escreveu o panfleto, em forma de poema, “Lamento de uma baiana”, denunciando a violência dos portugueses em Salvador. “Passaram 200 anos até que conhecêssemos a identidade dessa menina”, disse Marcela.

A história de Maria Felipa de Oliveira só não foi totalmente apagada porque foi preservada na memória dos baianos por meio da história oral. Nos livros de história nunca houve uma só linha de referência à Maria Felipa. Marisqueira, negra, Maria Felipa liderou movimentos revolucionários na Bahia, na Ilha de Itaparica. “Por muito tempo se vendeu a ideia de que a história de Maria Felipa seria estória, um mito”, afirmou.

Até mesmo Maria Quitéria, que foi ao Rio de Janeiro ser condecorada pelo imperador, foi vítima de apagamento. Vários trechos da vida da heroína são desconhecidos. “Nunca saberemos. Qual foi a reação dos homens ao descobrirem que tinham sido liderados por uma mulher. Como foi a experiência da guerra para Maria Quitéria, como e onde dormia. Foi mais de um ano de guerra”, pontua Marcela.

Maria Quitéria de Jesus assumiu a identidade de soldado Medeiros, disfarçando-se à moda masculina para integrar o Batalhão dos Periquitos na Bahia. Na época, trocou a vida doméstica destinada às mulheres para combater na linha de frente na guerra da Independência. O filósofo e político Cipriano Barata foi um dos poucos que se atentou para o machismo ao elogiar o feito de Maria Quitéria, que teria mostrado o valor do sexo feminino, sempre subjugado pelos homens.

 

Programação

 

A SPM-BA está com um stand na Casa Educar para Transformar, onde estão sendo distribuídos materiais informativos e exibidos vídeos de campanhas de enfrentamento à violência. Ainda no stand são realizadas oficinas de tik tok com músicas de empoderamento feminino e aplicadas tatuagens adesivas.

 

No sábado (5), uma roda de conversa sobre dignidade menstrual vai reunir facilitadoras da SPM e jovens da ONG Girl Up, no palco externo da Casa Educar para Transformar.

 

A Unidade Móvel de enfrentamento à violência contra as mulheres – ônibus lilás – está na Praça Ubaldino de Assis até domingo. Uma equipe multidisciplinar está à disposição para orientações às mulheres em situação de violência.  

 

Fonte
Ascom/SPM-BA