"Minha vida não foi fácil": é assim que Millena Passos fala sobre sua trajetória pessoal e profissional. Com mais de duas décadas de militância pela população LGBTQIA+, a ativista baiana é considerada uma referência no combate à LGBTfobia e foi a primeira transexual a ocupar um cargo em uma secretaria estadual de Mulheres. Millena é servidora da Secretara de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA).
Com movimentos sociais, Millena transformou a sua existência em luta política: foi pioneira ao trazer para a Bahia o primeiro Simpósio Nacional de Política para Transexuais, que resultou na instalação de um ambulatório transexualizador, onde pessoas transgênero têm acompanhamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Também em conjunto com entidades LGBTQIA+, Millena apresentou uma ação que resultou no processo de Transexualização no SUS, em 2013, que garante uma série de direitos de saúde às travestis e pessoas trans, como as cirurgias de redesignação genital. Além disso, a ativista também atuou em defesa do nome social para travestis e transexuais, implementado pela Portaria 120/2013 e ampliada ao Conselho Estadual de Educação a estudantes das escolas baianas.
Atualmente Millena Passos está à frente da secretaria executiva do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher, da vice-presidência da União Nacional LGBT e da coordenação do Grupo Gay da Bahia (GGB).
Ela explica que os estigmas em torno da discriminação de gênero e da orientação sexual que atinge a população LGBTQIA+ se agravam conforme os marcadores raciais e de classe, entre outros.
"Quando se fala em mulher trans, negra, da periferia, os recortes que vão vindo são carregados de estigmas. Não é fácil. Hoje eu sou uma figura de respeito, mas eu sei em qual lugar eu vou", diz Millena.
“A inserção de pessoas trans na mídia é resultado de um processo de luta por visibilidade de anos”, diz a ativista.
Segundo o relatório mais recente divulgado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), a Bahia é o segundo estado com maior número de assassinatos contra a população LGBTQIA+, tendo Salvador como a capital mais violenta para a mesma população, com 12 mortes em aproximadamente 3 milhões de habitantes.