Roda de Conversa marca celebração do Dia da Mulher Negra, Latinoamericana e Caribenha

29/07/2024

Em alusão ao Dia das Mulheres Negras, Latino-Americanas e Caribenhas, celebrado em 25 de julho, a Secretaria das Mulheres do Estado (SPM) participou de uma roda de conversa sobre Políticas Públicas de Proteção e Acolhimento às Mulheres Negras, com o tema "Caminhos para o Rompimento do Ciclo da Violência: Uma Questão, Vários Olhares". O evento, realizado pela Academia de Polícia Civil da Bahia, aconteceu na sexta-feira (26), no Auditório do Centro de Operações de Inteligência (COI), no Centro Administrativo da Bahia (CAB).

A superintendente de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher da SPM, Camilla Batista, detalhou o trabalho realizado pela SPM na prevenção da violência contra meninas e mulheres. "Nosso trabalho é capacitar e formar toda a rede, que inclui tanto a segurança pública quanto os agentes das áreas da Saúde, Educação e Assistência Social. Diminuir os índices de violência passa por um processo educacional", afirmou.

A delegada geral da Polícia Civil da Bahia, Heloísa Brito, falou sobre a importância do debate. "Esse é um momento não apenas de homenagear tantas mulheres que orgulham nossa instituição e o nosso Estado, mas também é uma oportunidade de refletirmos juntas sobre a atual conjuntura e os desafios que ainda teremos que enfrentar. É fortalecendo a imagem da mulher, em todos os níveis, que vamos contribuir para uma sociedade mais justa e mais humana", ressaltou.

A professora de Direito Penal, Nelma Barreto, que é Policial Militar e atualmente integra a equipe da SPM, destacou a política de cuidados para fora e dentro das instituições. "Precisamos cuidar de quem cuida. Como agentes do Estado, temos que pensar para dentro das instituições. A representatividade é essencial. Precisamos unir forças para implementar políticas públicas que alinhem a polícia às necessidades da população".
Benguela

A data comemorativa é uma homenagem à Tereza de Benguela, mulher negra e líder quilombola que viveu no século XVIII. Ela se tornou a "Rainha do Quilombo" ao resistir a escravidão por duas décadas como líder do Quilombo do PiolhoMT, até o conglomerado ser destruído por Luiz Pinto de Souza Coutinho, comandante do massacre que dizimou 79 negros e 30 indígenas.

"A memória de Tereza de Benguela empodera as mulheres negras da Bahia, na medida em que passa uma referência de força e liderança de um personagem caro de nossa história. Ao mesmo tempo, reverenciamos o presente que nos brinda com tantas e maravilhosas Benguelas nas mais diversas posições de liderança", pontua a delegada geral adjunta, Elâine Nogueira.

A atividade contou, ainda com a participação de Mabel Freitas, pós-doutora em Educação pela USP e doutora em Difusão do Conhecimento pela UFBA; da yalorixá Ìyá Márcia d'Ọ̀gún, doutora honoris causa pela Faculdade Formação Brasileira e Internacional de Capelania e Ordem de Capelães do Brasil; da pedagoga Mãe Diana de Oxum, yalorixá do Ilé Axé Ewá Omin Nirê; da autora do Projeto Empodere-se na Segurança Pública, Ubiraci Matildes, administradora de Recursos Humanos e Assessora Especial da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi/Ba); e da yalorixá Manuela França, psicanalista e advogada, que enriqueceram os debates em torno das conquistas e direitos das mulheres negras e indígenas.

 

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Foto: Haeckel Dias/ASCOM PC-BA