A 4ª Corrida e caminhada Semana Helena, realizadas da Conceição da Praia até a Basílica do Senhor do Bonfim, neste domingo (20), marcaram o encerramento das atividades da Semana Helena, em Salvador, cujo objetivo é chamar a atenção e promover a sensibilização sobre as perdas gestacional, neonatal e infantil. A atividade contou com a participação de mães, pais, familiares e amigos que enfrentaram a dolorosa perda de um filho e integra a programação da Semana Helena, apoiada pela Secretaria das Mulheres do Estado (SPM).
Neste ano, a Semana Helena teve um significado especial para a professora Flávia Carvalho, professora e ativista, cuja perda gestacional motivou a criação da Lei nº 14.558/2023, que instituiu a Semana Helena como parte do calendário oficial da Bahia, garantindo a realização anual de ações de sensibilização e apoio, sempre na semana do 15 de outubro, Dia Mundial da Perda Gestacional, Neonatal e Infantil. A lei leva esse nome em homenagem à filha de Flávia.
“Neste ano, a Semana Helena aconteceu no momento em que vivo a chegada do meu 'arco-íris', a minha gestação. Me sinto uma mãe cuidando de dois filhos, de Helena, eternizada pela Lei que me mobiliza tanto nas ações, e por outro bebê que requer meu cuidado neste momento. Isso me enche de esperança e amor”, disse Flávia, ao ressaltar a importância da causa para outras mulheres. “Precisamos de mais estratégias para mobilizar ações que traduzam em políticas públicas que diminuam as estatísticas de perdas e garantam apoio físico e emocional às famílias”.
Danielle Oliveira Almeida participou da atividade ao lado do marido Rafael Queiroz. Eles são pais de Mariana, que nasceu prematura e não sobreviveu. “Eu passei por uma perda com 26 semanas de gestação. Eu tive uma pré-eclampsia grave, a Síndrome Help. Então, minha filha nasceu extremamente prematura e faleceu dois dias depois. Através de uma psicóloga, eu acabei me conectando com Flávia, com a história dela e por me identificar com a causa, com a questão da perda gestacional, neonatal e infantil, eu venho participando todos os anos desse evento”, comentou Danielle.
Já Rafael enfatizou a importância do apoio à esposa e a todas as pessoas que passam por essas perdas. Ele
destacou que a caminhada é um momento de empatia e solidariedade, necessário para chamar atenção de todos para a causa. “Nós participamos todos os anos dessa caminhada, que é um evento importante para que a sociedade tome o conhecimento dessa situação, que é mais comum do que imaginamos. É uma situação muito difícil, que o tempo não apaga. Isso fica marcado para a vida toda”.
Além da corrida e da caminhada, a programação da Semana Helena incluiu o 2º Seminário Semana Helena, realizado no Instituto Anísio Teixeira (IAT); o Sarau da Saudade no Morro do Cristo; e a iluminação especial da Câmara Municipal de Salvador.
Foto: Adriana Ituassu