Relatos emocionados de mães que passaram pela perda gestacional, neonatal ou infantil marcaram a roda de conversa, realizada, nesta quinta-feira (16), na Casa da Mulher Brasileira. A atividade reuniu profissionais e especialistas de diferentes áreas e de movimentos sociais que abordaram os Cuidados Paliativos Perinatais e Perdas Gestacional, Neonatal e Infantil, como parte da programação desenvolvida pelas secretarias estaduais das Mulheres (SPM) e da Saúde (Sesab), ao longo deste mês.
O objetivo das programação, que segue até o dia 30, é evidenciar a importância de políticas públicas sensíveis e humanizadas, voltadas ao acolhimento de pessoas e famílias em situações de fragilidade, luto e reconstrução emocional, conforme enfatizou Neusa Cadore, secretária das Mulheres do Estado. “Este é um momento de compartilhamento, de resistência, de história e compromisso. Esta roda é uma corrente de apoio. Tem sido muito especial todo esse processo ao longo do mês, em torno de uma luta que é diária para a garantia de direito das mulheres e de suas famílias que passaram por essas experiências”, afirmou.
Lilia Embiruçu, médica neonatologista e técnica da Sesab, falou sobre a importância do diálogo e da escuta para o aprimoramento das políticas públicas no cuidado paliativo perinatal e no luto perinatal. “Acho que é fundamental essa escuta, porque é a partir da sociedade que a gente constrói política. Não pode ser só da gente para a sociedade. É a partir do anseio da sociedade que a gente escreve o cuidado para a própria sociedade que é usuária do SUS”, afirmou, ao destacar que a Bahia tem um ambulatório, que é o segundo maior do país nesse tipo de atendimento especializado, em funcionamento do Hospital Geral Roberto Santos.
A assistente social Simone Muriele Moraes, falou sobre a perda da filha Alice, com 39 meses de gestação, e da criação do projeto Grito Solitário. Este é um grupo de acolhimento às famílias que passam pela perda gestacional neonatal infantil. “Este também é um grupo de militância de políticas públicas para as mulheres, que vivenciam essa dor silenciosa e solitária, que é a dor de perder um filho”, contou, ao avaliar a mobilização realizada pela SPM e Sesab. “Estou muito feliz. O luto, ele traz a dor, mas ele traz o amor também, e vê esse movimento no mês de outubro tomando força no nosso estado, fazendo essa constituição dessa política pública, um movimento muito importante e de sensibilização, traz a visibilidade dessa dor que é tão invisível”, afirmou ao sinalizar que, por meio das redes sociais (@gritosolitario), as mães, pais e familiares podem se conectar ao grupo e se engajar nas atividades promovidas.
A roda de conversa também contou com as participações de Olga Sampaio, coordenadora do Ciclo de Vida e Gênero da Sesab; Andreza Santana, advogada de gestantes e mães; e de Nicole Santos, psicóloga perinatal. A atividade foi mediada pela psicóloga Yunna Bamberg, do Coletivo Maio Furta-Cor e teve a relatoria da professora Flávia Carvalho, idealizadora da Lei nº 14.558, também conhecida como Lei Semana Helena de Sensibilização à Perda Gestacional, Neonatal e Infantil.
Programação - A programação segue no dia 25, às 16h, com a Corrida e Caminhada Semana Helena de Sensibilização às Perdas Gestacional, Neonatal e Infantil, com saída às 6h, da Igreja da Conceição da Praia em direção à Colina Sagrada, no Bonfim. A programação continua até o dia 30, com o Encontro de Cuidados Paliativos Perinatal com Maternidades da Estratégia Qualineo, das 9h às 17h, no Auditório das Sesab. No mesmo dia, às 14h, acontecerá uma audiência pública da Semana Helena de Sensibilização às Perdas Gestacional, Neonatal e Infantil, na Câmara Municipal de Salvador.
Foto: Adriana Ituassu / Ascom SPM