SPM e Bahiater entregam caderneta agroecológica para fortalecer autonomia e trabalho das mulheres rurais

16/12/2025

A Secretaria das Mulheres do Estado (SPM), em parceria com a Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater/SDR), está distribuindo as Cadernetas Agroecológicas para as mulheres do campo. Este é um instrumento para as vivências das mulheres rurais, que contribui para o reconhecimento do trabalho produtivo e a autonomia econômica. Elas são usadas para registrar todas as formas de produção para consumo, troca, doação e venda. Esta sistematização permitirá compreender o impacto econômico e social da produção das mulheres, de suas famílias e comunidades, além de subsidiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas para o campo.

A secretária das Mulheres do Estado, Neusa Cadore, disse que as Cadernetas Agroecológicas são uma ferramenta de registro e valorização da produção das agricultoras familiares, dando visibilidade aos quintais produtivos e às diversas atividades realizadas pelas mulheres. Ela ressaltou a importância da iniciativa para o fortalecimento do protagonismo feminino no meio rural. “A caderneta é muito útil, que contribui para que as agricultoras identifiquem sua renda, compreendam o que produzem, o que vendem e qual o resultado financeiro ao final do mês, fortalecendo a autonomia e a autoestima”, destacou.

Pensada exclusivamente para as mulheres rurais, a Caderneta Agroecológica foi construída a partir das experiências e necessidades das próprias agricultoras. As cadernetas estão sendo entregues às organizações responsáveis pela execução da chamada pública ATER Biomas, que irão acompanhar os grupos de mulheres em seus respectivos territórios ao longo da execução dos contratos. Também serão encaminhadas para as Organizações Sociais (OSCs) contempladas em editais da SPM, como Elas que Produzem, Elas que Alimentam e Elas à Frente dos Quilombos.

Para a coordenadora técnica da Bahiater, Carmem de Miranda, a caderneta cumpre um papel estratégico ao enfrentar a invisibilidade histórica do trabalho das mulheres rurais. “A caderneta dá visibilidade ao trabalho das mulheres, que por muito tempo foi invibilizado. Ela vem para quebrar o paradigma de que a mulher do campo é apenas dona de casa. A agricultora que vive no assentamento, na roça, na ilha ou na comunidade rural exerce múltiplas funções produtivas e de cuidado e a caderneta ajuda a afirmar sua identidade como agricultora”, explica Carmem.

Formação - Cada organização executora do ATER Biomas ficará responsável pelo acompanhamento de 50 mulheres agricultoras, que receberão a caderneta e participarão de processos formativos. As equipes técnicas serão capacitadas para multiplicar oficinas nas comunidades, abordando temas como divisão sexual do trabalho, relações de gênero, e enfrentamento à violência contra as mulheres. Ao todo, cerca de 300 mulheres beneficiárias acompanhadas pelo ATER Biomas participarão das formações e do monitoramento contínuo das cadernetas.

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Fotos: Ane Novo/Ascom SPM

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Fotos: Paulo Marcos

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