A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) promoveu, nesta quinta-feira (16), uma sessão especial em homenagem ao Dia Nacional do Cigano, que será celebrado no dia 24 de maio. A proposição foi do deputado estadual Nilton Bastos Júnior (Niltinho) e contou com a presença de lideranças de movimentos sociais, universidades, parlamentares e representante de diversos núcleos de famílias ciganas do estado.
Segundo o deputado, “a sessão especial é uma forma de homenagear e aproximar a comunidade cigana da população baiana, afinal eles também são cidadãos brasileiros, portadores de direitos. O objetivo é conhecer um pouco mais da história e cultura do povo cigano, escutar suas demandas e combater o preconceito, a intolerância e discriminação contra essas comunidades”.
Entre as demandas do povo cigano está a valorização e o reconhecimento da etnia, da cultura, além das tradições e territórios. Um dos principais pontos destacados na sessão a necessidade de atualização dos dados sobre a comunidade cigana no Brasil. O último levantamento foi realizado em 2014 pelo IBGE e registrou a existência de acampamentos ciganos em 22 estados brasileiros, onde vivem de 600 a 800 mil ciganos, mas as comunidades acreditam que o número é muito maior.
Representando o governador Rui Costa, o secretário de Desenvolvimento Rural (SDR), Josias Gomes, ressaltou que o povo cigano fez parte do processo de construção da história e cultura do Brasil: “O povo cigano faz parte da nossa cultura e história da sociedade brasileira. Os ciganos são importantes na formação da diversidade e riqueza do nosso país. Nos últimos anos, por parte do governo federal, foi dada a eles a condição de serem identificados e valorizados”.
O professor doutor Jucelho Dantas, representante dos povos ciganos na Comissão Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT), destacou que a sociedade brasileira tem avançado, aos poucos, compreendendo a importância de garantir direitos ao segmento. “Não queremos um sol ou uma lua, mas que sejamos tratados de forma igualitária. Nosso país é uma colcha de retalho de culturas, inclusive dos povos indígenas, do povo negro, dos imigrantes e dos ciganos. Chegamos ao Brasil em 1574 e, desde então, temos construído este grande tecido que é diversidade da cultura brasileira, querendo respeito e dignidade”, pontou.
O professor ressaltou, ainda, a presença dos povos ciganos na CESPCT, instância coordenada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). “Temos discutido neste espaço as politicas estaduais para os povos e comunidades tradicionais, dentre eles, os ciganos. Unimos forças com os demais segmentos e lideranças diversas”, lembrou, também destacando a importância da sessão especial: “Para quem foi invisível por séculos, estar aqui é muito significativo”.
O coordenador executivo da Sepromi, Cláudio Rodrigues, falou sobre a importância dos atos oficiais e reconhecimentos públicos como uma ação de fortalecimento da identidade e de combate ao racismo: “O estado vem reconhecendo a diversidade étnico-racial e estruturando políticas para estes segmentos, que são povos milenares e vêm ocupando o território com suas demandas históricas”.
Com informações da Ascom/Sepromi