Cooperativas e associações da agricultura familiar do Território de Identidade Sertão do São Francisco participam, no período de 28 a 31 de maio, de atividades de apoio à comercialização de produtos da agricultura familiar, qualificação da produção e regularização e renovação da certificação que garante o Selo da Agricultura Familiar.
A ação, realizada nos municípios de Juazeiro, Uauá, Curaçá, Sobradinho, Remanso, Sento Sé e Casa Nova, é uma iniciativa da Superintendência da Agricultura Familiar (Suaf), unidade da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), conta com o apoio da equipe do Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR).
Durante a atividade estão sendo realizadas reuniões envolvendo as associações e cooperativas como a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), Cooperativa Agroindustrial Vale do Paraíso (Cooperparaíso), Cooperativa Agropecuária Familiar de Massaroca e Região (Coofama), Associação das Lages e de Fartura e Associação de Mulheres em Ação da Fazenda Esfomeado (Amafe), a fim de regularizar as concessões do Selo da Agricultura Familiar.
“Durante essas reuniões se destacou a Amafe, de uma comunidade tradicional de fundo de pasto, com 93 famílias, do município de Curaçá, que desde 2003 vem se organizando, e construiu com recursos próprios sua unidade de beneficiamento, equipando-a com recursos do projeto Ecoforte e apoio do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa) e do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), observou Daniel Ferreira, coordenador de Agroindústrias da Suaf.
“A gente espera que essa ação fomente a participação de outras mulheres da comunidade, e que, a partir da produção das geleias, sejam criadas novas oportunidades, construindo a questão do associativismo, sem esperar que as coisas cheguem até nós. É preciso buscarmos”, ressaltou Cristiane Ribeiro, associada da Amafe.
A Amafe
A associação surgiu a partir da necessidade de construir um projeto que envolvesse as mulheres nas discussões sociopolíticas da comunidade e depois de muita luta e do apoio de organizações sociais e de amigos da comunidade conseguiram construir uma unidade de produção, e está continuamente trabalhando para se adequar às normas e, por outro lado, buscando comercializar a produção para programas como o de Alimentação Escolar (PNAE), visando à sustentabilidade da associação e se capacitando para oferecer produtos de qualidade.
O inicio do processo produtivo foi com o biscoito avoador e a comercialização com a alimentação escolar. Hoje, as mulheres associadas buscam identidade e originalidade próprias, na elaboração de seus produtos como as geleias agridoces, nos sabores de palma com gengibre, cebola roxa, manga com cachaça e abacaxi com maracujá: “Estes produtos poderão ser encontrados na loja da Central da Caatinga, no centro do município de Juazeiro, sob a marca Dona Odete, que foi a precursora do grupo”, informou Cíntia Farias, presidente da associação.