Encontro discute Indicação Geográfica para azeite de dendê no Baixo Sul

23/08/2019

Dando continuidade ao debate sobre as estratégias para o fortalecimento da cadeia produtiva do dendê, foi realizado, nesta sexta-feira (23), no Ginásio de Esportes Francisco Lima Moreira, no município de Igrapiúna, mais um encontro de pesquisadores e produtores rurais de Azeite de Dendê do Baixo Sul da Bahia.

O encontro foi promovido pelo Instituto de Geociências e a Escola de Nutrição, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), e o Instituto Federal Baiano (IFBAIANO/Valença), em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), e da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR).

No encontro foi discutida a viabilidade de solicitação do registro de Indicação de Procedência (IG) para o azeite de dendê, instrumento usado para identificar a origem de produtos ou serviços, reconhecendo as características ou a qualidade desses produtos ou serviços, de uma determinada região. O azeite de dendê é produzido numa extensão territorial de mais de 20 mil hectares, envolvendo mais de 28 municípios dos Territórios de Identidade Baixo Sul, Recôncavo Baiano, Litoral Sul e Costa do Descobrimento.

Encontro discute Indicação Geográfica para azeite de dendê no Baixo Sul

Ana Cristina Souza, coordenadora técnica da Bahiater/SDR, participou ministrando palestra sobre o papel da Bahiater no fortalecimento da cadeia produtiva do dendê na Bahia. Ela destacou a importância de promover a divulgação do conceito e conteúdo do processo do selo da Indicação Geográfica: “Com o selo, há garantia da qualidade, da reputação e da identidade do produto azeite de dendê. A Bahiater, na organização deste seminário, juntamente com o Consórcio CIAPRA Baixo Sul, a Universidade Federal da Bahia e outros parceiros, vem alinhando conhecimentos, realizando a mobilização e divulgação do conceito de Indicação Geográfica, além de contribuir no processo de construção e de registro”.

O professor Doutor do Instituto de Geociências da Ufba, Alcides Caldas, destacou que atualmente, no circuito nacional, existea propriedade industrial de 60 produtos de indicação geográfica, uma discussão que envolve uma dezena de produtores e produtos do Brasil: “Nós estamos começando o debate sobre a Indicação Geográfica nesta região do Baixo Sul agora, mas elase estende por outros territórios porque o que interessa nesta discussão é a paisagem e a territorialidade de cada produto. Na Bahia, temos três produtos: a cachaça da microrregião de Abaíra, as amêndoas de cacau do Litoral Sul e o café do Oeste, da região de Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães.”

Adelino Dias Sacramento, produtor de dendê, do município de Igrapiúna, defende e reconhece a importância da produção do dendê no Território Baixo Sul. “O dendê é um produto nativo da nossa região, que já esteve em desvalorização, mas hoje voltou a ser grande gerador de renda. Existem classificações diferenciadas do dendê, mas o dendê comum, nativo desta região, é o mais sustentável e é de onde toda a comunidade tira o sustento.”

Mais informações -Nos dias 29 e 30 de agosto, no Centro de Formação da SDR, localizado em Itapuã, a Bahiater/SDR, em parceria com a UFBA, promoverá uma capacitação com o tema Indicação Geográfica e sua aplicação para o desenvolvimento territorial. A formação é voltada para técnicos da SDR e entidades parceiras.

Galeria: