Dando continuidade à série de encontros Diálogos de Ater, foi apresentado, nesta quinta-feira (10), pelas pesquisadoras da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Agrobiologia/RJ, Mariella Uzêda e Ana Cristina Garofolo, o tema: Soberania alimentar, serviços ecossistêmicos e políticas de amparo à produção e a comercialização de produtos da biodiversidade, assim como as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) da agricultura familiar.
O evento, transmitido ao vivo pelo Canal SDRBahia, no Youtube, é uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater) e da Coordenação de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex).
Para o coordenador da Cepex, José Tosato, as PANC ou plantas tradicionais, são produtos da sóciobiodiversidade, que ao longo do tempo passaram a ser menos consumidas, em uma cultura de alimentos pouco variados: “Tradicionalmente, esse número era muito maior, no campo e na cidade. Por isso, foi feita essa série de encontros, para estimular as pessoas a se alimentarem melhor, com alimentos saudáveis, além de estimular um melhor aproveitamento dos alimentos, com o uso de cascas, flores, e outras partes de plantas que hoje não se utilizam convencionalmente, mas que representam uma alternativa econômica para os agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais, gerando também soberania alimentar e saúde. Esperamos que a agricultura familiar faça um bom uso desses conhecimentos".
De acordo com Mariela Uzêda, falar das PANC é falar de comida com muita cultura e tradição, é falar de conhecimento acumulado ao longo de séculos, sobre plantas mais rústicas, que ocorrem mais espontaneamente: “A gente está falando de plantas muito acessíveis, com um cultivo que não demanda um aporte de insumos, e que permite que agricultores num processo de transição agroecológica as acessem. Esse tema PANC também questiona o quanto a gente pode acreditar ou se deixar levar por esse sistema hegemônico de agricultura, que hoje se pratica e que prega o extermínio daquilo que a gente chama de mato, que podem agregar não só no aspecto de segurança alimentar, mas em outros serviços, como manutenção de abelhas, vespas e de todo processo de polinização e controle biológico”.
A coordenadora técnica da Bahiater, Ana Cristina Souza, explicou que o Diálogos de Ater é uma nova forma de levar informações, ou tirar dúvidas, com um formato dialogado, que permite a troca de saberes entre técnicos e o público, de forma remota, com temas como o de PANC: "Esse tema foi escolhido devido à crescente demanda, tendo em vista a sua importância e por estar inserida na proposta trabalhada pela Bahiater, no eixo da Agroecologia, com agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais e mulheres, nos quintais agroecológicos e sistemas agroflorestais. O objetivo é alcançar saúde, autonomia e segurança alimentar".
Encontros semanais
O Díálogos de Ater é uma série de encontros, que acontecerão às quintas-feiras, a partir das 16h, voltados para agentes de assistência técnica e extensão rural (Ater), agricultores e agricultoras familiares, organizações e movimentos sociais, terceiro setor, setores públicos municipais e estaduais, estudantes e todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre a realidade rural e a agricultura familiar da Bahia.
O objetivo é levar informações sobre temas diversos, relacionados à agricultura familiar, além de ser um processo de formação rápida, dinâmica e interativa, em que os temas possam ir sendo complementados, a cada novo encontro, com foco na alimentação saudável, tanto no consumo quanto na produção rural.