Em sintonia com a programação do Novembro Negro, o Diálogos de Ater desta quinta-feira (12) traz para o debate o tema “Quilombos Contemporâneos - Desafios, Demandas e Perspectivas”, com a participação da professora, pesquisadora e quilombola Givânia Maria da Silva. A iniciativa, promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater) e a Coordenação de Pesquisa, Inovação e Extensão Tecnológica (Cepex), foi transmitida pelo Canal SDRBahia no Youtube.
Durante o encontro, foi apresentada uma contextualização histórica das lutas pelos quilombolas e o conceito de quilombos: grupos étnicos criados a partir do processo de resistência, que chegam a cerca de seis mil em todo o país. Foram consideradas também ações que vêm sendo executadas para quilombos e outros povos e comunidades tradicionais e os desafios e as demandas dessas comunidades por políticas públicas específicas.
O debate foi mediado por Célia Watanabe, superintendente da Bahiater e Edmilton Cerqueira, da Coordenação de Povos e Comunidades Tradicionais, da Bahiater, com a participação da Luci Góes, coordenadora da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi).
“A gestão pública deve ter especial atenção na promoção da igualdade racial, fomentando ações afirmativas que possibilitem o acesso às políticas públicas”, afirmou Célia Watanabe. A superintendente destacou a parceria da Bahiater com a Sepromi, na chamada pública ATER Povos e Comunidades Tradicionais, que atende 5.040 famílias quilombolas. “Na perspectiva de aprimorar essa dimensão, buscamos monitorar e avaliar permanentemente, considerando as especificidades culturais, organizativas e produtivas das populações quilombolas”, concluiu Watanabe.
Givânia Maria da Silva, oriunda da comunidade quilombola de Conceição das Crioulas, no município de Salgueiro, em Pernambuco, ressaltou que o Diálogos de Ater é uma iniciativa importante, não só de divulgação, mas, sobretudo, como uma forma de subsidiar as gestões municipais e a ação dos parlamentares, com pautas como a da agricultura familiar, segurança alimentar e assistência técnica e extensão rural (Ater), que são extremamente importantes: “É preciso que a gente não só debata esses temas, mas que coloque esses temas, como temas prioritários, nas plataformas de gestão dessas pessoas que se elegerão”.
Lucy Góes, da Sepromi, destacou que esse é um momento oportuno para tratar do assunto e apresentou as atividades previstas ainda para o Novembro Negro e outras ações que vêm sendo desenvolvidas para povos e comunidades tradicionais da Bahia neste ano de 2020. Ela citou o edital, no valor de R$1,2 milhão, voltado para apoiar instituições da sociedade civil, que estão mais próximas de povos e comunidades tradicionais, para que elas superem os desafios impostos pela pandemia: " A parceria com a SDR tem sido fundamental na execução de alguns projetos para povos e comunidades tradicionais e população negra de um modo geral”.
Espaços Rurais e Diversidades
Esse encontro é o primeiro da nova série, que trará para o debate do Diálogos de Ater temas relacionados aos Espaços Rurais e Diversidades. A nova série de encontros acontece no período de 12 de novembro a 17 de dezembro, todas as quintas-feiras, às 16h.
O objetivo é contribuir com as discussões concernentes às diversidades, tão presentes na sociedade contemporânea, em seus múltiplos aspectos de materialização, sem perder o foco do universo rural e seus protagonistas, agricultoras e agricultores familiares.
Encontros semanais
O Diálogos de Ater é uma série de encontros, que acontecem às quintas-feiras, a partir das 16h, voltados para agentes de assistência técnica e extensão rural (Ater), agricultores e agricultoras familiares, organizações e movimentos sociais, terceiro setor, setores públicos municipais e estaduais, estudantes e todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre a realidade rural e a agricultura familiar da Bahia.