“Direitos Humanos e Empresas: conflitos socioambientais e resistências”. Foi pautada neste tema que a assessora de gênero do Pró-Semiárido, Elizabeth Siqueira, representou o projeto no seminário on-line,realizado pelo InstitutoPolíticas Alternativas para o Cone Sul (PACs),natarde da última terça-feira, 27. O Encontroé uma proposição de diversasorganizações de direitos humanos, aberto ao diálogo,que busca promoverreflexões sobre a relação – quase sempre marcada por violações socioambientais – de empresas com os direitos humanos.A ideia éconstruirtambémum olhar coletivo acerca das especificidades dessas violações, partindo de uma perspectiva antirracista e feminista.
“Quando eu observo as mulheres com quem eu trabalho, mulheres que são quilombolas, indígenas, fundo de pasto, elassão diversas e estes direitos básicos são negados a muitas delas.Agente diz queestes direitostêm que ser garantidos e respeitados conforme a lei, masnão serespeitam a questão de classe social, raça, etnia, regionalidade, a cultura,principalmente neste momento em que nos encontramos em situação de pandemia”, reflete Elizabeth ao tratar sobre as minorias em sua fala.
Além da crise econômica, social e ambiental provocada e ou potencializada pela pandemia daCovid-19, durante o encontro foram citados dados que tratamdo aumento da fome e da vulnerabilidade social no Brasil, bem como a triste realidade da volta do país ao mapa da fome,que é monitorado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Sobre o assunto, Elizabeth Siqueira citou a ação do Pró-Semiárido e explicitou os bons resultados do projeto no combate à fome, mas ratificou que é preciso fazer muito mais para atender as tantas famílias que estão hoje em situação de insegurança alimentar. O projeto é executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR),com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).
O evento contou ainda com a presença da doutoranda emCiênciaPolítica pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ),LeonildesNazar, que teceu reflexões sobre as diversas crises que assolam o país nesta conjuntura de pandemia. “Este momento mostra como estas crises estão interconectadas, e mais que isso,como uma potencializa aoutra.A crise socioambiental é capaz de agudizar a questão da saúde e as condições de vulnerabilidade às quais já são submetidasàspopulações nos diversos territórios do país e houve uma capacidade de mobilização, construção de redes de trocas importantesneste último ano,mostrando que existe e resiste gente do campo”, destacou.