Sobrecarga de trabalho das mulheres e necessidade da divisão justa das tarefas é tema de seminário

13/05/2021

Com objetivo demobilizar e gerar momentos de reflexão sobre a sobrecarga do trabalho das mulheres, violência e divisão sexual do trabalho,a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), realizou, nesta quinta-feira,o seminário de disseminação da Campanha pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico,com transmissão ao vivopelo canal daSDRBahia,no Youtube.

A campanha,idealizada pela Rede Feminismo e Agroecologia do Nordeste e GT Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), em parceria com diversas organizações da sociedade civil e movimentos sociais de mulheres, conta com o apoio da CAR, por meio do projeto Pró-Semiárido, desde 2018.

Participaram do eventogestores dos bancoscofinaciadoresdos projetos da CAR, BahiaProdutiva, Fátima Amazonas,gerente de Projetos eEspecialista Sênior em Desenvolvimento Rural do Banco do Mundial,e do Pró-Semiárido,HardiVieira, Oficial de Programas (CPO) doFundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). 

Sobrecarga de trabalho das mulheres e necessidade da divisão justa das tarefas é tema de seminário

Ochefe de gabinete da SDR,JeandroRibeiro,representando o diretor-presidente da CAR, Wilson Dias, citou o nome de gestoras que estão à frente de iniciativas importantes para a mulher rural, e que tem emprestado um DNA diferenciado à gestão do Governo do Estado da Bahia no campo da Agricultura Familiar:“Nesse âmbito, a CAR é uma empresa que nos orgulha muito, pois tem mudado a realidade do povo da Bahia, da mulherbaianae daagriculturafamiliar”, concluiu.

Fátima Amazonas destacouos aspectos emocionais resultantes da sobrecarga vivida pelas mulheres, sobretudo durante a pandemia:“Precisamos atentar para sobrecarga do trabalho, já que essa mulher precisaparticipar e contribuir com inúmerasatividades,em casa, na agricultura,nas discussõespúblicas, mas também para a sobrecarga emocional eos efeitos nocivospara todos que estão convivendo naquela unidade familiar”.

O Oficial de Programas FIDA,HardiVieira, assinalou a reconhecida atuação do projeto ao desenvolver iniciativas especificas destinadas à mulher agricultora:“Entre os projetos FIDAno mundo, o Pró-Semiárido se esforçou muito para pensar ações de gênero específicas paras as mulheres e, considerando oúltimo censo agropecuário, querevelou que 50% das mulheres dirigem os estabelecimentos familiares,essa necessidade fica ainda mais exposta”.

Tema gera debates

“Ficar em casa é questão de saúde, dividir tarefas e viver sem violência também!” –Com esse tema, foi dado início ao painel que contoucoma participação deJozieteda Cruz Silva - Liderançacomunitáriaebeneficiária doprojeto Bahia Produtiva. Ela lembrouque, sobretudo a mulher rural, ainda naturalizaquestões que acabam por gerar sobrecargas de trabalho para ela mesma:“A mãe dela ensinou assim e ela acha que deve ser assim mesmo! Mas o importanteéque estamos abrindo o pensamento e progredindo a cada dia”.

Sobrecarga de trabalho das mulheres e necessidade da divisão justa das tarefas é tema de seminário

A professoraLaeticiaJalil, membro do Grupo de Trabalho de Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), apresentou dados que tornam a realidade da mulher rural ainda mais complexa em relação à sobrecarga e violência domésticas.Laeticiaapontou que 13% do PIB do país advém do trabalho doméstico não remunerado, e esse trabalho é executado prioritariamente pelas mulheres. “Alguémse apropria desse dinheiro”, pontuou.A professoralembrou ainda o quanto essa realidade é invisibilizada, já que muitas dessas mulheres estão isoladas, não contam com uma delegacia ou mesmo acesso a outros instrumentos que lhes permitissem denunciar a sua condição.

Neste sentido, Karine Freitas - Núcleo JUREMA/ Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), apresentou o histórico de construção da Campanha pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico,o seu caráter político pedagógicoea importância de que ela sejadisseminada:“Os materiais da campanha são de todos e podem servir como base para construção de políticas e ações destinadas ao combate à sobrecarga do trabalho domésticoe a violência sofrida pelas mulheres. O lar precisa ser um lugar saudável para todos/as”, defendeu.

Atécnica em desenvolvimento socialdoPró-Semiárido,DeyseSayonara, apresentou depoimentos de agricultoras e agricultores,após acirculaçãodasZapnovelas,peças em áudio disponibilizadas pela Campanha,disseminadasem gruposdewhatsappcom participantesdas comunidades atendidas pelo projeto:“Nós trabalhamos cinco episódios junto aos grupos, oque contribuiuparadarcontinuidade ao trabalho realizado pelo Pró-Semiárido de empoderamento das nossas agricultoras e de conscientização das famílias, mesmo durante a pandemia, emotivou reflexões muito significativas”.

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