CDA e Sutrag realizam webinário sobre divisão do trabalho doméstico em época de pandemia

28/05/2021

A divisão do trabalho doméstico em época de pandemia foi tema, nesta quinta-feira (27), de webinário promovido pela Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA) e a Superintendência de Políticas Territoriais e Reforma Agrária (Sutrag), unidades da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). O evento, transmitido pela plataforma Teams, reuniu o público interno da SDR, agricultores e agricultoras familiares, representantes de movimentos sociais e colegiados territoriais.

No webinário foi apresentado o resultado de uma pesquisa intitulada “Divisão sexual do trabalho doméstico em tempos de pandemia e isolamento social”, realizada pelo Coletivo de Mulheres de Todas as Lutas, além das ações desenvolvidas e relacionadas ao tema no âmbito da CDA e Sutrag, favorecendo assim a reflexão no ambiente de trabalho e a inclusão do debate entre as famílias atendidas pela agricultura familiar.

Camilla Batista, coordenadora executiva da CDA, refletiu sobre a importância de as mulheres ocuparem os espaços de poder e as consequências do trabalho doméstico no atual momento: “A discussão sobre a divisão sexual do trabalho não pode passar despercebida entre nós, nas nossas famílias. Precisamos dialogar sobre a igualdade de direitos para que as meninas de hoje, mulheres das próximas gerações, ocupem os espaços que nossos antepassados e nós não conseguimos alcançar, e que os meninos compreendam a importância de dividir as tarefas domésticas e respeitar as mulheres em todos os espaços”.

CDA e Sutrag realizam webinário sobre divisão do trabalho doméstico em época de pandemia

Para gestora da Superintendência de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), Célia Watanabe, a campanha tem duas dimensões muito importante: “a primeira diz respeito às nossas próprias vidas, como nós lidamos com isso no nosso cotidiano, como no compartilhamento das tarefas domésticas com outros membros das nossas famílias, nesse desafio de sermos trabalhadoras do serviço público; e a segunda dimensão, diz respeito a nosso público beneficiário, as mulheres agricultoras. É muito comum encontrarmos grupos produtivos, com a presença muito grande de mulheres, lideradas, dirigidas, majoritariamente, por homens, quando não, somente por eles".

Ao apresentar sobre o conteúdo da pesquisa, Ieda Maria, assessora jurídica da CDA/SDR e integrante do coletivo, ressaltou a importância de publicizar e realizar discussões sobre um tema tão marcante na pauta da luta por igualdade de direitos: "É necessário desnaturalizar a ideia que trabalho doméstico é responsabilidade exclusiva das mulheres mãe e das meninas filhas, sendo urgente, em tempos de pandemia e sobrecarga de trabalho para as mulheres”.

Rita Sacramento, coordenadora da Diretoria de Política Territorial da Sutrag, observou que a campanha permitiu às colaboradoras das unidades da SDR estarem juntas dialogando, com a participação do nosso público atendido pela secretaria: “Foi um importante momento de troca e de aprendizados ouvir as convidadas falarem com maestria e alerta a termos o autocuidado de gerenciar um tempo para nós e evitar o adoecimento mental”.

CDA e Sutrag realizam webinário sobre divisão do trabalho doméstico em época de pandemia

Divisão do trabalho

Graciete Santos, coordenadora da Campanha pela Divisão Justa do Trabalho Doméstico e presidenta da Casa da Mulher do Nordeste de Pernambuco (CMN/Pe), explica que a campanha pela divisão justa do trabalho doméstico é fundamental neste momento de pandemia porque vem problematizar os sentidos e a valorização do trabalho doméstico e de cuidados: “Ela vem também denunciar a sobrecarga e as relações desiguais e de poder existentes nas relações familiares do ambiente doméstico. A campanha é uma ferramenta pedagógica e política que provoca mudanças, mudanças de atitude, de pensamento, de comportamento, mudanças nesses papéis que são culturalmente construídos e que determinam essa divisão sexual do trabalho, o que é trabalho de mulher e o que é trabalho de homem e que traz também esse sentido que o trabalho do homem tem um valor maior que o trabalho da mulher”.

Para Neide Nanci Santos, agricultora familiar do assentamento Bebedouro, no município de Barra do Choça, a pandemia tem exigido ainda mais das mulheres nas suas atividades no lar: “O trabalho doméstico nessa pandemia é muito cansativo. Na agricultura familiar então, para nós, sobrecarga é muito grande. Graças a Deus que o meu companheiro sempre tem me ajudado e sempre está do meu lado ajudando. Mas tem sido muito difícil mesmo e, eu espero, que nossas companheiras da agricultura familiar possam a cada dia ter êxito”.

A ação integra a Campanha pela Justa Divisão do Trabalho Doméstico, uma iniciativa da Rede Feminismo e Agroecologia do Nordeste e Grupo de Trabalho Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), em parceria com diversas organizações da sociedade civil e movimentos sociais de mulheres, conta com o apoio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR/SDR), por meio do projeto Pró-Semiárido, desde 2018, e organizações da sociedade civil de diversas partes do país.

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