Famílias agricultoras do município de Itapicuru, Território de Identidade Litoral Norte e Agreste Baiano, já colhem os frutos da implantação de tecnologias sociais de acesso à água para produção em suas propriedades, a exemplo de cisternas calçadão e barreiros trincheira, instalados pelo Governo do Estado. A ação tem possibilitado a conquista da soberania alimentar e nutricional e a geração de renda para essas famílias, que passaram a contar com assistência técnica e extensão rural (Ater).
Por meio da Ater, as famílias recebem orientações quanto à produção de alimentos para o autoconsumo e para a comercialização da produção em comunidades vizinhas, ou na feira livre do município, além de instrução para o uso racional da água e conservação das tecnologias sociais implantadas.
Na comunidade Umbuzeiro, em Itapicuru, a agricultora familiar Maria das Graças de Jesus comemora o armazenamento de água na cisterna de calçadão: “Depois da cisterna eu plantei as minhas verduras e, como tem bastante, eu não preciso mais comprar na feira. O adubo é orgânico, de galinha ou de carneiros e não quero agrotóxicos. Deus me livre!”. Ela conta que o que ainda precisa comprar na feira, em breve não vai precisar mais, porque vai plantar em seu quintal produtivo. É o meu trabalho de vida”.

A ação é executada pelo Programa Água para Todos (PAT), da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). Em Itapicuru, o acompanhamento das famílias é realizado pela equipe do Movimento de Organização Comunitária (MOC), a partir de convênio com o PAT/CAR.
De acordo com Ana Luiza Marques, coordenadora do Programa Água Todos na CAR, a ação é fruto dos contratos de Ater, efetivados com três organizações da sociedade civil, dentre elas, o MOC, que atenderá 4.584 famílias, em oito territórios do Semiárido, com investimento total de R$715,8 mil. Ela explica ainda que o acompanhamento técnico se estende para famílias atendidas pela implantação de cisternas para consumo e para produção e barreiros trincheira: “É um momento que podemos diagnosticar se houve mudança na vida familiar, a partir do acesso à água para produção, no que diz respeito aos aspectos sociais, econômicos, alimentar e nutricional”.
Para o coordenador desta ação no MOC, o técnico Mateus Jhonnei, é perceptível a importância das políticas públicas de desenvolvimento rural na vida das pessoas: “Por um lado, a gratidão e expressão de estima e o cuidado com as tecnologias de captação e armazenamento de água para produção e, por outro, percebemos o quanto é importante a Ater, na troca de conhecimento técnico com as famílias, que buscam saber sobre o planejamento da produção e comercialização, do incentivo ao melhor uso da água e das práticas agroecológicas para convivência com o Semiárido”.
O município de Itapicuru foi contemplado, no período de 2017 e 2020, com 32 barreiros trincheira e 42 cisternas calçadão, beneficiando 74 famílias, com investimento total de R$ 884,3 mil. A execução de 17 barreiros trincheira foi de responsabilidade do Instituto Colônia Esperança. Os outros 15 barreiros trincheira e as 42 cisternas calçadão foram executados pelo MOC.
Sobre as tecnologias sociais de acesso à água
O barreiro-trincheira tem capacidade de armazenar a partir de 500 metros cúbicos de água. Já a cisterna calçadão, que possui um calçadão construído com placas de cimento, medindo 200 metros quadrados, onde a água da chuva cai e é escoada, tem capacidade de armazenar 52 mil litros.