Mais de 60 agricultores e agricultoras familiares de Campo Alegre de Lourdes apresentarão, no próximo dia 11 de abril, propostas para a Prefeitura Municipal, com a lista de produtos que poderão ser fornecidos para a alimentação de estudantes da rede municipal de ensino, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Com a oferta de alimentos, que vão desde a carne caprina até o mel, as famílias agricultoras esperam comercializar cerca de R$ 750 mil, ao longo do ano.
A organização das famílias agricultoras, aliada ao assessoramento técnico ofertado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), por meio do projeto Pró-Semiárido, em parceria com o Serviço de Assessoria a Organizações Populares (Sasop), têm sido essenciais para que as famílias agricultoras consigam ter volume de produção e a documentação necessária para acessar o PNAE. Além disso, a boa relação com o poder municipal contribui para que os grupos cumpram o calendário de entrega dos produtos e recebam os pagamentos em dia.
Os grupos informais de agricultores/as passaram a acessar o PNAE há cinco anos, a partir daí o número de agricultores e de recursos acessados tem se multiplicado e assegurado a oferta de alimentação de qualidade nas escolas, além de promover maior geração de renda para as famílias envolvidas. Em 2020, apenas três grupos informais acessaram o PNAE e juntos venderam R$ 8.352,00. Em 2023 cinco grupos se organizaram e forneceram mais de R$ 635 mil reais em produtos.

Foto: ASCOM/SDR/CAR
“O acesso ao PNAE foi importante porque nós temos bastante produto aqui na roça e agora é bem mais fácil fazer a venda. Quando a gente levava para a cidade, a venda não era tão certa, agora, a gente já leva e entrega tudo e foi um incentivo para a gente produzir mais e garantir nossa renda. Tem dois anos que a gente acessa o PNAE. Em 2023, a gente criou o nosso grupo e a perspectiva é que neste ano a gente entregue mais produtos. Estamos preparados para fornecer para o PNAE e para outros locais de venda”, afirmou a jovem Quecia dos Reis, da comunidade Sitio do Meio.
A jovem Tamires Ribeiro da Trindade, da comunidade Tradicional de Fundo de Pasto Travessão, que representa um grupo informal da sua comunidade e produz e comercializa junto com seus pais, ressalta a transformação que políticas públicas como o PNAE proporciona. “A gente vê o pessoal conseguindo investir na compra de tratorito, roçadeira e irrigações, a partir desse dinheiro, e tem também melhor qualidade de vida. É um dinheiro bem aplicado. Esses programas sociais, quando bem direcionados, fazem a toda a diferença na vida do agricultor familiar, na vida do aluno”.
Empoderamento e reconhecimento
O técnico em Desenvolvimento Produtivo e Social do Pró-Semiárido, Ângelo Neri, destaca a importância do acesso a esse mercado institucional para o empoderamento das pessoas, em especial das mulheres. “É gratificante quando você vê as pessoas melhorando sua renda e sua alimentação e até mudando a alimentação em casa. Tendo mais renda para poder comprar as coisas que necessitam. No ano passado, 45 pessoas acessaram o PNAE, destas, 23 foram mulheres, isso revelou que com o Programa muitas mulheres que trabalhavam na roça e não tinham o controle daquilo que produziam e da renda, hoje conseguem controlar o recurso utilizando-o para suas necessidades e das suas famílias”.
O alimento produzido localmente sem o uso de agroquímicos gera saúde, renda e permite que professores possam trabalhar a educação contextualizada nas escolas, como afirma a professora do ensino fundamental Luzenira Ribeiro de Sena, que mora na comunidade João Dias. “O PNAE é um programa que beneficia as famílias agricultoras e beneficia mais ainda os estudantes. Incentiva as crianças a se alimentar de forma saudável e é uma forma de mostrar a sociedade que a gente precisa se alimentar melhor. O PNAE traz esse alimento bom e saudável. É uma forma também de valorizar as pessoas da comunidade, mas também a criança que sabe que o pai que plantou aquele alimento. As crianças conseguem dar este valor ao alimento”, ratifica Luzenira.
Os grupos informais, que acessam o PNAE no município de Campo Alegre de Lourdes são assessorados pelo Pró-Semiárido, Projeto executado pela CAR, empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).