Reforma agrária e igualdade racial em debate

11/01/2016

Reforma agrária como uma importante estratégia de promoção da igualdade racial. Este foi um dos destaques nas discussões iniciadas neste domingo (10), em Salvador, durante evento que contou com a participação de trabalhadores rurais de todas as regiões da Bahia, representantes das secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e de Desenvolvimento Rural (SDR), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), movimento negro e de mulheres, dentre outros segmentos.

A titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, falou da importância da intersetorialidade das políticas de reforma agrária, promoção da igualdade de raça e gênero, o que tem sido, de acordo com ela, uma das prioridades do governo estadual. “Entre as missões institucionais da Sepromi está a proteção aos direitos das comunidades e grupos étnicos atingidos pela discriminação racial e demais formas de desigualdade”. A gestora cita o Estatuto de Promoção da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa como um dos instrumentos balizadores das ações, documento que também versa sobre o acesso à terra para a população negra, público majoritário no meio rural.

O secretário da SDR, Gerônimo Rodrigues, destacou a criação recente da pasta, em virtude da necessidade de potencializar as políticas sistêmicas de desenvolvimento rural, dialogando com diversos movimentos de luta pela terra. “Somos, inclusive, o estado com maior população rural, algo em torno de 4 milhões de pessoas no campo”, pontuou. Rodrigues explicou que a intenção é fazer a escuta adequada e ampliar o diálogo com o setor. “Não vamos desenvolver o país se a pauta da reforma agrária não estiver viva e firme”, completou.

Elizabeth Rocha, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), disse que as discussões são importantes para debater as metas da militância que luta pela reforma agrária popular. “Nosso principal objetivo é a construção de uma sociedade diferente, com revolução e socialismo”, afirmou, ressaltando que entre os maiores desafios para o próximo período está a produção de alimentos saudáveis, a formação política constante e a educação contextualizada.

A abertura das discussões também teve a participação do economista João Pedro Stédile, membro da direção nacional do MST, que realizou análise da conjuntura nacional política a agrária. O encontro reúne cerca de 1,5 mil trabalhadores rurais e prossegue até a próxima quarta-feira (13), contando ainda com representações da Coordenação de Desenvolvimento Agrário (CDA), vinculada à SDR, do deputado federal Valmir Assunção e outras lideranças políticas, além de Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade do Estado da Bahia (UNEB), movimentos sociais, dentre outros.