Sepromi e Olodum discutem agendas afirmativas e resgate da memória

06/07/2017
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e o bloco Olodum discutiram nesta quinta-feira (6) um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da identidade negra, além de iniciativas de preservação da memória das lutas raciais históricas. A titular da pasta, Fabya Reis, recebeu o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues, na sede da secretaria, em Salvador.


João Jorge ressaltou a necessidade da difusão da cultura negra nos espaços públicos e o desenvolvimento de atividades ao longo do ano, com destaque para a utilização de datas emblemáticas e do potencial da educação neste processo. "História e contemporaneidade devem ser usadas para o resgate e divulgação dos fatos que fazem parte da trajetória do povo negro da Bahia", afirmou. Enfatizou, principalmente, a importância de reforçar a propagação da Revolta dos Búzios como um dos maiores marcos da vida política e social da Bahia, que em 2017 completa 219 anos.


A secretária da Sepromi reiterou que a pasta, que já celebra uma década de instituída, tem voltado um olhar especial para o registro e reconhecimento das contribuições históricas do povo negro no processo civilizatório e construção da sociedade. “A promoção da igualdade racial passa, também, pela visibilidade destes legados”, pontuou a gestora, lembrando das articulações com secretarias e órgãos que tratam da cultura e da memória na Bahia. Todas as iniciativas são integradas à agenda da Década Internacional Afrodescendente, cuja adesão ocorreu de forma pioneira pelo Governo do Estado.


Agosto da Igualdade –
Dentre as pautas discutidas também estava o calendário de atividades do mês agosto, período dedicado a mobilizações em torno da memória da Revolta dos Búzios. Está em andamento, inclusive, o processo de seleção de projetos do Edital Agosto da Igualdade, cujo foco são os legados desta mobilização popular de 1798, associado às lutas e lideranças negras contemporâneas, este ano homenageando o Mestre Didi (Deoscóredes Maximiliano dos Santos), artista plástico e sacerdote afro-brasileiro.


Memória do Olodum - No conjunto dos diálogos e parcerias entre a Sepromi e o Olodum, está o trabalho de preservação da história do bloco afro, ação que se dará através da digitalização do acervo composto por 234 mil peças, do Centro de Documentação e de Memória da organização. A iniciativa foi oficializada no dia 25 de abril e encontra-se em execução. O investimento total é de R$ 225 mil, recursos resultantes de convênio federal, a partir de emenda parlamentar da senadora Lídice da Mata.