Debate sobre racismo institucional marca Dia da Mulher Negra

25/07/2017
Na véspera das comemorações pelo Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, um conjunto de servidoras estaduais e mulheres negras baianas participou de encontro para discutir o tema “Mulher negra e combate ao racismo institucional”. A atividade, realizada no auditório do Ministério Público, foi fruto da parceria entre as secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e de Políticas para as Mulheres (SPM). A cantora Clécia Queiroz fez a abertura do evento com músicas alusivas à luta das mulheres.

A iniciativa reforça o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa do Estado. “Através do nosso Estatuto e do sistema que ele propiciou para o financiamento das políticas de promoção de igualdade racial, podemos avançar no combate do racismo institucional”, explicou a secretária da Sepromi, Fabya Reis. Da mesma forma, temos a política de 30% de cotas destinadas à população negra em concursos públicos e seleções do Estado, como estratégia para ajudar a corrigir a pouca presença de negros e negras no serviço público e em cargos de tomadas de decisão”, complementou.

Palestrante do evento, a doutora Dora Lúcia Bertúlio, uma das principais especialistas da área do Direito Público e Relações Raciais no Brasil afirmou que “o racismo Institucional hoje é o ponto máximo do racismo brasileiro”, necessitando de profunda intervenção. “É quando todas as instituições que de alguma forma representam este racismo atuam no cotidiano de cada indivíduo e no coletivo da sociedade brasileira”, pontuou Dora, que também é procuradora-geral da Fundação Cultural Palmares.

A jornalista e escritora Rosane Borges, também compondo a mesa, ressaltou que a sociedade precisa equiparar as oportunidades e garantir a proteção à população de mulheres negras, pontuando que o racismo institucional é um dos impeditivos para avanços nesta área. “Trata-se de um mecanismo que garante a exclusão seletiva de grupos de negros e negras”, afirmou.

Ela destacou, ainda, outros elementos que posicionam o Brasil em posições preocupantes no que diz respeito à relação entre racismo e violência. Citou dados computados a partir do monitoramento do feminicídio, por exemplo, que colocam as mulheres negras como suas principais vítimas no país.

Rosane Borges concluiu falando da importância da resistência e da construção de um novo projeto para o país. “Falar do combate ao racismo institucional é pensar num outro pacto civilizatório. Essa mudança depende de nós, mulheres negras, mas principalmente de uma configuração que nos coloque na condição de protagonistas”, disse.

Também participaram do evento as titulares das secretarias de Políticas para as Mulheres (SPM), Julieta Palmeira; do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Olívia Santana; a procuradora do Ministério Público do Estado, Márcia Virgens; a vice-reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Carla Liane; a religiosa ebomi Nice de Oyá; além da major(a) Denice Santiago.