Mestre Didi é homenageado na Assembleia Legislativa da Bahia

07/11/2017
Nesta segunda-feira (6), em Salvador, integrando as ações do mês da consciência negra, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realizou uma sessão especial em homenagem ao centenário de Deoscóredes Maximiliano dos Santos. Mais conhecido como Mestre Didi, ele foi sacerdote afro-brasileiro, escultor e escritor, com grandes contribuições na vida religiosa e intelectual do país.

Com exposições no Brasil e no exterior, ganhou diversos prêmios e foi um dos mais importantes sacerdotes do culto aos egunguns no mundo. Mestre Didi, que morreu em 6 de outubro de 2013, é fundador do Ilê Asipá, na capital baiana. A comunidade religiosa realiza, desde o ano passado, uma extensa programação alusiva ao seu centenário de vida, que tem como ponto alto o próximo dia 2 de dezembro.

Para a titular da Sepromi, Fabya Reis, a homenagem é um justo reconhecimento do legislativo aos legados deixados pelo Mestre Didi. “Demonstra a importância da atuação de uma personalidade que deixou grande patrimônio material e imaterial para a sociedade. Que este legado seja levado adiante por meio das suas obras e ensinamentos” disse a secretária, pontuando iniciativas governamentais que destacam o centenário do sacerdote, a exemplo do edital Agosto da Igualdade, o tombamento do Ilê Asipá, pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IpacSecult), além de ações de reconhecimento público.

A deputada Fabíola Mansur, proponente da sessão, informou que tramita na ALBA, a partir de sua autoria, um projeto que cria a Comenda da Liberdade Revolta dos Búzios, dedicada a ativistas da defesa da igualdade racial, e cujo primeiro agraciado será, segundo ela, o próprio Mestre Didi, in memoriam. “Novembro é mês da Cultura, e também o mês da Consciência Negra e por isso resolvemos antecipar esta homenagem para reverenciar a arte e ética do grande sacerdote e do extraordinário artista plástico que dedicou a vida e o trabalho à valorização da ancestralidade africanal”, destacou a parlamentar.

O alagbá Genaldo Novaes, autoridade religiosa do Ilê Asipá, disse que Mestre Didi foi um visionário. “Como artista plástico teve um papel fundamental. Saiu da base africana e foi ao topo. Atuou como um educador muito presente, levando todo conhecimento africano e formando, desde cedo, escolas específicas para levar essa visão adiante. Foi um ‘religioso-educador’, seguindo determinações e aprendizados ancestrais”, pontuou o algbá.