12/08/2021
Lançar um olhar sobre as batalhas e heróis do passado para pavimentar um futuro com menos desigualdades sociais e combatendo-se o racismo. Luiz Gonzaga das Virgens e Veiga, João de Deus Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira e Lucas Dantas do Amorim Torres, heróis da Revolta dos Búzios, foram homenageados nesta quinta-feira (12), na Praça da Piedade, onde foram enforcados e esquartejados, no ano de 1799.
Com a presença das secretárias de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, e da Cultura, Arany Santana, e de representantes do movimento negro e da sociedade civil, também foi hasteada a bandeira do levante popular por liberdade, que completa 223 anos. Ainda nesta quinta-feira (12), o Edital da Década Afrodescendente, que vai investir R$ 3 milhões em iniciativas da sociedade civil de combate ao racismo e à intolerância religiosa, foi publicado no Diário Oficial do Estado.
Segundo Fabya Reis, esses são exemplos das diversas ações afirmativas e de reparação desenvolvidas pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi). “Hoje foi publicado um edital de R$ 3 milhões, em que selecionaremos 60 organizações. Um edital que é justamente para fomentar ações e iniciativas da sociedade civil e do movimento social negro, promovendo essa grande capilaridade da igualdade racial. Temos o nosso Centro de Referência Nelson Mandela, que acolhe vítimas de racismo e intolerância religiosa e pode ser acionado pelo 71 3117-7448. Temos nossos órgãos colegiados. O governador Rui Costa acabou de transformar uma comissão de povos tradicionais em conselho. Nós seguimos no diálogo com a sociedade civil, com ações institucionais para que as políticas de igualdade racial sigam fortalecidas”, afirmou a secretária.
O dirigente da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Gilberto Leal, destacou a relevância da Bahia na história do Brasil. “A Bahia foi centro das principais revoltas negras contra o sistema opressor. Várias revoltas aconteceram nesse estado e nessa cidade. Então, o papel da Bahia já é histórico e importante. É um estado de maioria da população negra, mais de 80% no estado e também na capital. Mas o negro também é maioria nos presídios, entre moradores de rua, entre os desempregados. Esses são dados que a estatística oficial mesmo mostra. Então, a Bahia é um estado cuja responsabilidade no processo de reparação da dívida histórica é preponderante, porque aqui se instala um processo político e cultural também. A cultura da Bahia é uma cultura marcada pelas expressões de matrizes africanas”, disse.
Fonte: Secom-BA / Repórter: Raul Rodrigues.