Editais da Sepromi contemplam mulheres negras com fomento ao empreendedorismo

06/03/2018
Celebrado no dia 08 de março, o Dia Internacional da Mulher é uma oportunidade para debater e colocar em prática ações que estimulam a busca por melhores condições para mulheres nos diversos setores da sociedade. A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi) se antecipou à data e já pôs em prática projetos direcionados ao público feminino, com vistas a fomentar o empreendedorismo e a geração entre mulheres negras de bairros populares.

“As marcas do racismo estrutural brasileiro repercutem, com maior impacto, junto às mulheres negras. Por isso desenvolvemos políticas estruturantes previstas no Estatuto da Igualdade Racial, bem como a Política Estadual de Empreendedorismo para Negros e Mulheres. Nossos projetos têm focado, inclusive, na participação de 50% de mulheres nas ações desenvolvidas pelas entidades contempladas nos editais. Essa é uma forma continuada e progressiva de contribuir para a correção das desigualdades”, assinala Fabya Reis, titular da Sepromi.

Uma das ações, realizada através do edital Novembro Negro 2017, levou o curso ‘Mulheres Negras: Da cozinha ao empreendimento’ a beneficiárias assistidas pela Associação Sociocultural e de Capoeira Mangangá, em Salvador. Moradoras de bairros como Nordeste de Amaralina, Pau Miúdo, Federação, Vila Mar, Nova Brasília e Nazaré aprenderam a costurar as vestimentas com referência afro e utilizadas nas religiões afrobrasileiras, bem como paramentos e acessórios. Também aprenderam sobre os alimentos oriundos da ancestralidade africana. Fizeram parte dos conteúdos, ainda, a produção de doces e salgados tradicionais.

O fundador da Mangangá, o músico baiano Tonho Matéria, inscreveu um projeto da ONG por acreditar que “todo edital bem elaborado é bem-vindo, para as linguagens artística, social e cultural”. Ele destaca a democratização do acesso às chamadas públicas. “Possibilita a avançarmos nas nossas ações, por meio de um bom projeto, não só inscrito no papel, mas que direciona pessoas simples das comunidades à profissionalização”. Matéria completou dizendo que “os cursos estão levando as mulheres negras para o mundo do empreendedorismo e isso é muito importante”.


Fazendo a diferença

Tem gente que já está ganhando dinheiro com o que aprendeu. É o caso de Sheila Denise Souza. “O que aprendi está fazendo a grande diferença na minha vida. Já estou vendendo bolinhos e quitutes nas escolas, no bairro em que moro. Estou ansiosa para participar de mais iniciativas como essas, para aprender ainda mais”.

A técnica de Enfermagem Rute Sueli não quer mais atuar na área da Saúde e vê, no que aprendeu, a possibilidade de trilhar um novo caminho. “Sou da comunidade da Federação e estava à procura de uma nova forma de ganhar a vida. Vou aproveitar a oportunidade para daqui para frente tentar ser, realmente, uma empreendedora de sucesso”.

Outro projeto contemplado pelo edital Novembro Negro 2017, via Sepromi, envolveu mulheres do entorno do Ilê Oxumarê, mais conhecido como Casa de Oxumarê, que fica no bairro da Federação. Elas tiveram acesso a cursos de corte, costura e bordados, inclusive com o tradicional ‘richelieu’, uma das mais antigas técnicas do mundo.

Recentemente, a Sepromi lançou mais uma iniciativa que contempla as mulheres negras. Trata-se do Edital da Década Afrodescendente, com investimento na ordem de R$ 2 milhões. O foco principal é a redução das vulnerabilidades social e econômica da população negra, principalmente dos segmentos de povos e comunidades tradicionais, juventude e mulheres negras. A chamada pública consta no Diário Oficial do Estado e está disponível no site da Sepromi.



*Com informações da Secom-BA / Repórter: Renata Preza