Homenagem e roda de conversa marcam Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

22/01/2020
Uma lei de 2007 criou no Brasil o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro. A data foi escolhida porque neste mesmo dia, há 20 anos, a yalorixá baiana Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, sofreu um infarto e morreu após agredida em seu terreiro, o Abassá de Ogum, em Salvador. Nesta terça-feira, reunindo diversos segmentos religiosos, uma homenagem à líder religiosa foi realizada no Parque Metropolitano do Abaeté, local onde está instalado o seu busto. Além disso, a agenda do dia também incluiu uma roda de conversa no Terreiro Obatalandê, em Lauro de Freitas, com presença de religiosos, autoridades e sociedade civil.

“Nós temos o Centro de Referência Nelson Mandela para acolher as denúncias de racismo e intolerância religiosa. A gente tem identificado, nos registros que chegam sobre intolerância, um aumento crescente de violação ao direito constitucional das religiões de matriz africana. O trabalho que a gente tem feito é de visibilizar esse problema, pedir cada vez mais respeito através de ações e de campanhas pedagógicas, dialogando com toda a sociedade, participando de iniciativas como esta”, afirmou a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis.

Em 2019, o Centro de Referência Nelson Mandela, vinculado à Sepromi, registrou 49 casos de intolerância religiosa, a maior parte deles contra religiões de matriz africana. Nos primeiros dias de 2020 já houve um registro.

“Vivemos um momento de muita luta, resistência e de pensar o que estamos perdendo. As agressões aos terreiros, às mulheres e aos homens negros têm crescido. Uma mobilização como esta reforça que podemos seguir em frente na diversidade, com respeito e paz”, pontuou yalorixá Jaciara Ribeiro, filha biológica e sucessora de Mãe Gilda do Terreiro Abassá de Ogum.

No Terreiro Obatalandê, onde uma roda de conversa aconteceu durante toda a manhã, as agressões e a luta contra discriminação continuam. “A intolerância mata, fere e nos magoa. A gente precisa entender que estamos no século 21 onde a lei garante o estado laico para todos. A motivação desse dia é dizer ‘não’ a qualquer tipo de opressão”, declarou o babalorixá que comanda a casa, Pai Anderson de Oxalá.

Para a vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Lindinalva de Paula, a intolerância vai mais além. “O que acontece no Brasil e na Bahia é um racismo religioso, um ódio que impede que a maneira diferente de cultuar sua fé aconteça de forma tranquila. Para nós, da sociedade civil, este dia é extremamente importante, nos dá visibilidade”, reforçou.


*Com informações da Secom – BA / Repórter: Lina Magali.