Júri Simulado da DPE absolve Carlos Marighella

13/02/2019

A Defensoria Pública do Estado (DPE) realizou nesta quarta-feira (13), no Teatro Vila Velha, mais uma edição do projeto Júri Simulado – Releitura do Direito na História, desta vez, julgando simbolicamente o militante, ex-deputado federal e poeta Carlos Marighella. O evento, idealizado pelos defensores públicos Rafson Ximenes, Raul Palmeira e Eva Rodrigues, contou com a presença da titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Fabya Reis.

“É sempre um aprendizado participar do projeto Júri Simulado, que nesta edição destacou a trajetória de um grande ativista dos ideais revolucionários, o eterno Carlos Marighella, após 50 anos da sua morte. Trata-se de uma reparação histórica e necessária para o reforço à luta em defesa dos direitos humanos e políticos. A iniciativa tem grande impacto, sem dúvidas, na formação de um conjunto de jovens e estudantes da atualidade e no processo de defesa da nossa democracia”, ressaltou a secretária Fabya Reis.

O evento contou com a participação de estudantes de escolas públicas de Salvador, de universidades, militantes de movimentos sociais, autoridades e defensores públicos, a exemplo do defensor público-geral, Clériston Macedo; dos defensores Rafson Ximenes; Firmiane Venancio; Eva Rodrigues; da ouvidora Vilma Reis; além de servidores(a)s e de Carlos Marighella Filho, representando a família do ativista.

O defensor público-geral destacou a importância das atividades para a promoção da Justiça com os fatos e personagens históricos da luta em defesa da democracia, ressaltando, ainda, a parceria com a Sepromi na efetivação da iniciativa, desde a sua primeira edição.

Marighella era um dos principais organizadores da resistência contra o regime militar e considerado o inimigo número um da ditadura. Foi militante do Partido Comunista por 33 anos e depois fundou o movimento armado Ação Libertadora Nacional - ALN. No júri simbólico ele foi interpretado pelo ator do Bando de Teatro Olodum, Fábio de Santana, sendo absolvido ao final, por unanimidade.

Perseguição - No governo Vargas, Marighella foi preso e torturado. Após sair da prisão entrou para a clandestinidade, sendo recapturado em 1939. Novamente foi torturado e ficou na prisão em 1945. No ano seguinte foi eleito deputado federal pela Bahia. Em 1968, com a instauração do Ato Institucional nº5 (AI-5), poderia ter escolhido o caminho de muitos dos seus companheiros, o exílio, mas decidiu resistir. Um ano depois, Marighella foi assassinado na cidade de São Paulo, após uma emboscada armada pelos agentes repressores do Estado.

Ao final do julgamento, o público conheceu um pouco mais da história de Carlos Marighella com palestra do jornalista Mário Magalhães, autor do livro Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo.

Série Júri Simulado - O projeto Júri Simulado vem ganhando força e sucesso de público a cada realização. Na sua primeira edição, realizada em novembro de 2016, Luíza Mahin foi absolvida das acusações de conspiração contra a Coroa Portuguesa, em 1835. Em novembro de 2017, foi a vez de Zumbi dos Palmares ser absolvido pelo Júri Simulado. No ano de 2018, ainda tiveram mais três julgamentos: do índio tupinambá Caboclo Marcelino (em Ilhéus), da efetividade da Lei Áurea e do poeta Cuíca de Santo Amaro.