Bahia participa do Encontro Nacional de Povos de Terreiro

15/06/2019
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) participa da primeira edição do Encontro Nacional de Povos de Terreiro, que acontece em Belo Horizonte (MG) até o próximo domingo (16), reunindo lideranças religiosas, pesquisadores e autoridades de diversos estados. O evento, que também agrega países como Venezuela, Cuba, Uruguai, Haiti, Nigéria e Estados Unidos, é organizado pelo Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab) e debate assuntos referentes à defesa da democracia, dos territórios e dos direitos das religiões e irmandades de matriz africana.

Makota Célia Gonçalves Souza (Makota Celinha), da coordenação do evento, explicou a expectativa é criar, ao final do evento, uma rede internacional de defesa da liberdade religiosa e contra a violação de direitos do povo negro. “A nossa resistência ultrapassa fronteiras. O crescimento do racismo religioso é um fato. A nossa alternativa é divulgar pro mundo o que está acontecendo no nosso país. Resistir, lutar e organizar são as estratégias para sairmos dessa realidade”, destacou.

A titular da Sepromi, Fabya Reis, uma das debatedoras, ressaltou que a mobilização representa um momento de solidariedade entre as religiões afro-brasileiras, em defesa da vida e contra a retirada de direitos. “É fundamental esta confluência da luta antirracista, inclusive neste período em que a ONU trabalha a Década Internacional Afrodescendente. Este movimento reflete uma potência de luta que possibilita, de fato, a criação de redes de articulação, também contribuindo para reforçar e estruturar políticas públicas”, enfatizou.

A secretária ressaltou, ainda, a importância do fortalecimento dos decretos e marcos legais voltados à garantia de direitos dos povos e comunidades tradicionais, além da ampliação de diálogos – entre instâncias governamentais e sociedade civil – pelo reconhecimento e reparação aos povos de terreiro no Brasil.

Até o final do evento, através de mesas temáticas e grupos de trabalho, serão discutidos temas relativos às mulheres negras, saberes ancestrais, desenvolvimento sustentável, educação antirracista, representação negra na mídia, liberdade religiosa, dentre outras pautas. Durante as atividades estão sendo divulgadas as políticas de enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa da Bahia, sobretudo ações do Centro de Referência Nelson Mandela.