09/03/2018
O tradicional Bembé do Mercado, que reúne diversos terreiros de candomblé do Recôncavo baiano, acontece entre os dias 9 e 13 de maio, no município de Santo Amaro. O evento foi pauta de reunião na Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) nesta quinta-feira (8), com a presença da comissão organizadora e da titular da pasta, Fabya Reis. Registrado como Patrimônio Imaterial da Bahia, em 2018 0 Bembé celebra 129 anos de luta e força das religiões de matriz africana.
Para Pai Poti, que está à frente da organização, "o momento é de comemoração, mas principalmente de reflexão, fortalecimento e resistência dos terreiros de candomblé da Bahia". Ele esteve acompanhado, no encontro, pela representante da Associação Nacional Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu), Ana Placidino, juntamente com o Baba Geri e as religiosas Maria do Carmo, Tatiane Santos e Mary Renanni.
A secretária da Sepromi, Fabya Reis, ressaltou o caráter mobilizador do Bembé do Mercado, reforçando que para a Sepromi é motivo de grande satifação associar-se a esta atividade, no cumprimento das suas missões junto aos povos e comunidades tradicionais do estado. “O Bembé é a afirmação do povo negro, sobretudo para as comunidades de terreiro, sendo uma grande oportunidade para reforçar e valorizar o debate em torno da diversidade religiosa. Agrega religiosos e poderes públicos, tendo em vista este grande patrimônio, que tem deixado legados importantes ao longo de mais de um século de tradição", pontuou.
O Bembé do Mercado apresenta uma programação variada de manifestações culturais, rodas de conversa, atos governamentais e homenagens, além de palestras sobre temas como a Revolta dos Búzios e a luta das mulheres. Também acontecerão diversos rituais, a exemplo da entrega do "presente às águas". AS atividades serão antecedidas pelo Fórum de Fortalecimento da Salvaguarda dos Terreiros do Bembé do Mercado, já nos dias 2 e 3 de maio, no Teatro Dona Canô.
A história - O Bembé está relacionado ao Treze de Maio, data emblemática, que marca a extinção legal da escravidão, no ano de 1888, momento em que o povo liberto da escravidão se organizou para celebrar suas lutas. Entretanto, desde 1808, festejos públicos que envolviam povos africanos eram comuns nas ruas de Santo Amaro da Purificação. Como bem analisa João José Reis (1991), Bembé é uma festa realizada pelas comunidades de terreiro.
Segundo a tradição oral a festa começou em 1889, quando João de Obá – “pai de terreiro”– reuniu filhos e filhas de santo e armou um barracão de pindoba, enfeitando-o com bandeirolas, para comemorar o aniversário da abolição. A atitude de João de Obá relacionava-se também ao costume dos pescadores em ofertarem flores e perfumes para a "Mãe D’água". Eles iam, de canoas e saveiros enfeitados, até São Bento das Lajes, levar presentes para as “águas”. Esse ritual era acompanhado por toques de atabaques. Chegando ao encontro entre o rio e o mar, um pescador experiente mergulhava, para entregar as oferendas.
Para Pai Poti, que está à frente da organização, "o momento é de comemoração, mas principalmente de reflexão, fortalecimento e resistência dos terreiros de candomblé da Bahia". Ele esteve acompanhado, no encontro, pela representante da Associação Nacional Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu), Ana Placidino, juntamente com o Baba Geri e as religiosas Maria do Carmo, Tatiane Santos e Mary Renanni.
A secretária da Sepromi, Fabya Reis, ressaltou o caráter mobilizador do Bembé do Mercado, reforçando que para a Sepromi é motivo de grande satifação associar-se a esta atividade, no cumprimento das suas missões junto aos povos e comunidades tradicionais do estado. “O Bembé é a afirmação do povo negro, sobretudo para as comunidades de terreiro, sendo uma grande oportunidade para reforçar e valorizar o debate em torno da diversidade religiosa. Agrega religiosos e poderes públicos, tendo em vista este grande patrimônio, que tem deixado legados importantes ao longo de mais de um século de tradição", pontuou.
O Bembé do Mercado apresenta uma programação variada de manifestações culturais, rodas de conversa, atos governamentais e homenagens, além de palestras sobre temas como a Revolta dos Búzios e a luta das mulheres. Também acontecerão diversos rituais, a exemplo da entrega do "presente às águas". AS atividades serão antecedidas pelo Fórum de Fortalecimento da Salvaguarda dos Terreiros do Bembé do Mercado, já nos dias 2 e 3 de maio, no Teatro Dona Canô.
A história - O Bembé está relacionado ao Treze de Maio, data emblemática, que marca a extinção legal da escravidão, no ano de 1888, momento em que o povo liberto da escravidão se organizou para celebrar suas lutas. Entretanto, desde 1808, festejos públicos que envolviam povos africanos eram comuns nas ruas de Santo Amaro da Purificação. Como bem analisa João José Reis (1991), Bembé é uma festa realizada pelas comunidades de terreiro.
Segundo a tradição oral a festa começou em 1889, quando João de Obá – “pai de terreiro”– reuniu filhos e filhas de santo e armou um barracão de pindoba, enfeitando-o com bandeirolas, para comemorar o aniversário da abolição. A atitude de João de Obá relacionava-se também ao costume dos pescadores em ofertarem flores e perfumes para a "Mãe D’água". Eles iam, de canoas e saveiros enfeitados, até São Bento das Lajes, levar presentes para as “águas”. Esse ritual era acompanhado por toques de atabaques. Chegando ao encontro entre o rio e o mar, um pescador experiente mergulhava, para entregar as oferendas.